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quinta-feira, agosto 11, 2016

"PRESIDENTA" OU "PRESIDENTE": E A POLÊMICA PARECE NÃO TER FIM...


A palavra presidenta está hoje em todos as gramáticas e dicionários portugueses e brasileiros.
Gramáticos contemporâneos, como o professor Pasquale (vejam aqui) concordam: “pode-se dizer a presidente ou a presidenta“.
As gramáticas portuguesas e brasileiras tradicionais – como a Nova Gramática do Português Contemporâneo, do brasileiro Celso Cunha e do português Lindley Cintra, ou a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara – também concordam: “Quanto aos substantivos terminados em -e, uns há que ficam invariáveis (amante, cliente, doente, inocente), outros formam o feminino com a terminação em “a”: alfaiata, infanta, giganta, governanta, parenta, presidenta, mestra, monja. Observação: “governante”, “parente” e “presidente” também podem ser usados invariáveis no feminino.”
Presidenta” está no Dicionário Aurélio desde a sua primeira edição, em 1975 (ver aqui); está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras desde a sua primeira edição, em 1932; no Dicionário da Academia Brasileira de Letrase estava já no primeiro Vocabulário Ortográfico sancionado pela Academia de Lisboa, de Portugal, em 1912 (o vocabulário integral pode ser acessado aqui).
Presidenta já aparecia também em textos de nossos melhores escritores dois séculos atrás: Machado de Assis, por exemplo, usa “presidenta” em Memórias Póstumas de Brás Cubas, sua obra-prima, publicada em1881 e disponível gratuitamente aqui.
Anos antes, em 1878, o português O Universo Ilustrado narrava o enterro fictício de uma “presidenta”; em 1851, a Revista Popular de Lisboa  também se referia à “presidenta” de uma reunião.
Ainda em Portugal, podemos encontrar presidenta no primeiro vocabulário oficial da língua portuguesa, elaborado em 1912 por Gonçalves Viana (disponível aqui) .
“Presidenta” está também no vocabulário do português Rebelo Gonçalves (1966), e, desde um século antes, no Dicionário de Português-Alemão de Michaëlis (1876), no de Cândido de Figueiredo (1899), no Dicionário Universal / Texto Editores (1995), na primeira edição do Dicionário Lello (1952) e na primeira edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (também de 1952).
Na verdade, ainda antes disso – no ano de 1812 (antes ainda, portanto, da independência do Brasil de Portugal), a palavra “presidenta” já aparece dicionarizada: está no Dicionário de Português-Francês de Domingos Borges de Barros, que viria a ser diplomata e senador. Versão digitalizada do dicionário, de 1812, pode ser acessada aqui.
Por falar em outras línguas: não apenas no francês, mas também nas línguas irmãs do português, o galego e o espanholpresidenta é considerado o feminino mais gramaticalmente correto de “presidente“.
A palavra “presidenta” nada tem a ver, portanto, com Dilma Rousseff ou com o PT, e quem se recusa a usar a palavra por achar que é uma invenção recente de petistas está apenas atestando ignorância em relação à língua portuguesa.
Isso porque a forma “a presidenta” é, na verdade, mais antiga e mais tradicional na língua portuguesa que “a presidente”.
Como se pode ver em todos os dicionários e vocabulários oficiais anteriores a 1940 (por exemplo: aquiaquiaquiaquiaquiaqui), até a metade do século passado a palavra “presidente” era considerada substantivo exclusivamente masculino, e “presidenta” era o único feminino aceito para “presidente”.
Em outras palavras: apenas a partir de 1940 a forma “a presidente” passou a ser aceita por gramáticos e dicionaristas portugueses e brasileiros. Ou seja: a palavra “presidenta“, dicionarizada desde 1812, é mais antiga e tradicional em português que a forma neutra “a presidente“, apenas dicionarizada a partir de 1940.
A passagem, no século passado, de presidente” como forma exclusivamente masculina para forma neutra baseou-se no mesmo processo de “neutralização de gênero” pelo qual passaram, e vêm até hoje passando, vários outros substantivos portugueses – como “a parente”, que antes antes só se dizia “parenta” -, sobretudo profissões – como “a oficial” (que antes só se dizia “oficiala”), “a cônsul” (que antes só se dizia “consulesa”) ou “a poeta” (que antes só se dizia “poetisa”).
A Revista Veja, por exemplo, deixou de usar a palavra “presidenta” apenas quando Dilma Rousseff chegou ao poder e disse que gostaria de ser chamada assim. Até então, porém, a mesma Veja usava “presidenta”- vide exemplos de edições da década de 1970 (ao se referir à então presidenta deposta da Argentina), de 1980, de 1990 e mesmo 2000.
Do mesmo modo, anos antes de o PT chegar ao poder, os demais órgãos de imprensa usavam “presidenta” – como a Folha de S.Paulo – por exemplo, em 1996 (“Secretária de Turismo de Alagoas e presidenta da Fundação“), 1997 (“Segundo a presidenta da CPI, deputada Ideli Salvatti“), 2003: (“A presidenta da CDU e líder da bancada parlamentar, Angela Merkel, já deixou claro que seu partido não se dispõe a salvar a situação para o governo de Berlim.“), etc.; O Estadão (em 2004:”Empresária de Shakira era presidenta da  companhia“; em 2008: “disse a presidenta da Plataforma, Maribel Palácios“, etc.), o Correio Braziliense, etc.
Em resumo: hoje, é indiferente o uso de “a presidenta” ou “a presidente” – ambas as formas são gramaticalmente corretas e equivalentes.
Mas, ao contrário do que diz o senso comum e do que supõem muitos em sua ignorância, “a presidenta” não é informal, não é uma invenção recente nem é “coisa de feministas” ou “de esquerdistas” (pelo contrário, é a forma mais antiga e tradicional em língua portuguesa).
Um bom exemplo de sensatez, por exemplo, vem do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDBum dos principais opositores de Dilma Rousseff, que, no entanto, nunca deixou de falarpresidenta“, por saber que essa forma é antiga, tradicional e perfeitamente correta em português.
E, para fechar, um videozinho de programa educativo da TV Cultura de 1996, mostrando que ninguém estranhava o uso de “presidenta” no Brasil… até Dilma Rousseff chegar ao poder e pedir para ser chamada assim:

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terça-feira, agosto 09, 2016

EDUCAÇÃO: TEXTOS IMPORTANTES


#‎Dica‬ para os professores, coordenadores pedagógicos e profissionais da área da Educação em geral, vale a pena conhecer um espaço da Revista Revide, de Ribeirão Preto-SP., que aborda exatamente essa temática: a Educação, com textos da Professora Elaine Assolini (*).
Segue o link: http://www.revide.com.br/blog/elaine-assolini/

Vale a pena conferir!!!



(*) Professora Elaine Assolinidoutora em Psicologia, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, FFCLRP-USP;  Mestre em Psicologia também pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, FFCLRP-USP; Cursos de especialização, nas áreas de Linguística, Linguística Aplicada, na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho, UNESP e Educação, UNICAMP. Líder do GEPALLE (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização, Leitura e Letramento - FFCLRP-USP. 

segunda-feira, agosto 01, 2016

LIÇÃO DE CASA: PRÓS e CONTRAS 2, de Elaine Assolini



Pensar a respeito de um dos principais pilares da cultura escolar, a lição de casa,  é preciso considerar diferentes argumentos, contrários e a favor dessa prática.  Analisar os prós e os contras da lição de casa pode contribuir com os educadores, no sentido de ponderar sobre a necessidade da lição e, ao mesmo tempo, explicar a inadequação do excesso de tarefas que pode acontecer em alguns casos.
Comecemos pelos argumentos contrários à lição de casa.
1º) A lição de casa não contribui significativamente para a aprendizagem e para o desempenho escolar dos alunos. Vale lembrar uma lei francesa de 1956, ainda vigente, que proíbe os deveres de casa para crianças entre 6 e 11 anos.  A citada lei nasce a partir da consideração de pesquisas científicas que mostraram e continuam mostrando que, pelo menos para as crianças francesas, nessa faixa etária, os deveres de casa pouco acrescentam ao seu aprendizado!
2º) A lição de casa intensifica as desigualdades porque, principalmente entre as classes trabalhadoras, não se pode contar com a presença dos pais ou outros mediadores em casa que poderiam, acompanhar sistematicamente a elaboração das tarefas.
3º) A expectativa de contribuição dos pais afeta a dinâmica familiar, impondo novos papéis e responsabilidades que nem sempre podem ser assumidos pelos pais, ainda mais se tivermos em mente a sociedade contemporânea, que exige que nós, pais e mães, trabalhemos, em algumas situações até 12 horas por dia, como assinalam recentes pesquisas. As exigências escolares podem gerar situações embaraçosas, conflitos e até mesmo discussões entre pais e filhos. Como consequência, algumas crianças passam a sentir aversão a toda sorte de tarefas a serem realizadas em casa.
4º) A obrigatoriedade de passar a lição de casa toma considerável tempo do professor, assim como a necessidade de corrigi-la, subtraindo tempo da aula e, ainda, fazendo com que o professor leve mais trabalho para sua casa, trabalho esse que se soma a tantos outros por ele realizados como, por exemplo, o preparo de aulas, propriamente dito.
5º) A escola deveria cumprir seus objetivos e garantir a aprendizagem no tempo previsto, assegurando condições gerais e individuais para a realização das tarefas, no tempo das aulas.
A mais dura crítica feita à lição de casa diz respeito à intensificação das desigualdades sociais, posto que nem todas as famílias têm iguais condições de acompanhar e ajudar seus filhos nas tarefas. Lembremos que, no Brasil, ainda existem 15 milhões de analfabetos e muitas dessas crianças são filhos desses homens e mulheres que não tiveram oportunidades de aprender a ler e a escrever. Em alguns milhares de casos, temos a agravante de que esses homens e mulheres não alcançaram níveis razoáveis de letramento. As diferenças dos níveis de alfabetização e de letramento dos pais interferem no reconhecimento e valorização desse tipo de atividade, bem como nas (im)possibilidades de contribuir com explicações e esclarecimentos necessários à realização das atividades.
Podemos pensar também que, mesmo que disponham de tempo e de condições para contribuir com os seus filhos na realização de tarefas, pais e mães, ou aqueles que exercem esses papéis, podem não se sentirem à vontade na tarefa de ensinar, visto que nessas condições de produção, inevitavelmente assumem a posição “professor”.  O desconforto sentido nessa posição pode aumentar e gerar frustrações e situações de tensão, ou, ainda, o que é mais comum, a culpabilização do professor ou do aluno. Esse por precisar de apoio na realização das tarefas, aquele por ter solicitado tarefas e deveres fora das aulas.
Considerando a escola e seu papel, questiona-se sua capacidade de gerenciar o ensino e a aprendizagem no espaço previsto e no espaço institucional próprios. Se a escola delega aos pais a função de ensinar, pode-se dizer que cumpre sua principal missão?  Não raro, podemos observar consequências muito negativas, dentre elas o “jogo de empurra-empurra” no caso o empurra-empurra de tarefas, atividades e da ação de ensinar. Conflitos e distanciamentos entre famílias e escola, estudantes e professores.
Pensemos agora nos argumentos favoráveis à lição de casa.
1º) As tarefas feitas em casa podem contribuir, de modo importante, para a formação de estudantes, ajudando na aprendizagem e no desempenho escolar dos alunos. Desenvolvimento da autonomia, do senso de responsabilidade, da disciplina são outras consequências positivas da lição de casa.
2º) Aprender a organizar informações, sistematizá-las e revê-las são alguns dos motivos pelos quais os professores solicitam lição de casa.
3º) Fortalecer o vínculo com o saber e ressignificar relações com o conhecimento são, também, argumentos positivos, visto que em outras condições de produção, no caso, tarefas feitas no ambiente domiciliar, podem ser lidas, interpretadas de forma diferente às da sala de aula.
4º) A lição de casa não é necessariamente uma sobrecarga. Desde que seja bem planejada e adequada aos recursos de aprendizagem dos alunos, pode estreitar o vínculo com a escola.
5º) A lição de casa pode proporcionar interações entre pais e filhos, irmãos ou com outros adultos responsáveis pelo aluno.
A lição enfadonha pode dar lugar a práticas significativas, ou seja, aqueles que mobilizam sentidos que circulam na memória discursiva (memória de saberes) dos estudantes. Dentre as possíveis práticas significativas, podemos destacar aquelas que envolvem leitura de um livro de que o aluno goste, ilustração de textos, desenhos e pinturas livres, formulação de adivinhas, produções linguísticas escritas, criação de jogos e brincadeiras, decifração de enigmas, observação de experimentos científicos, entrevistas com familiares etc.
Nesse contexto, gostaria de lembrar que tão importante quanto ensinar é cuidar do processo de aprendizagem. Cuidar e zelar para que esse processo aconteça de acordo com as possibilidades dos alunos é tarefa da escola. Assim sendo, a lição de casa pode se constituir em valioso instrumento, no sentido de provocar e instigar os alunos a (re) pensarem o que aprenderam ou não, suas dificuldades e desafios. A boa lição de casa motiva os alunos a reverem conteúdos ensinados, bem como sua posição aluno e, ainda, o que faz com o que lhe é oferecido em sala de aula.
 A ajuda dos pais, segundo o meu entendimento, deve ser vista pelos professores como possível contribuição e não como um pilar de sustentação para o aprendizado do aluno.
Para finalizar esse artigo, gostaria de salientar que a lição de casa não pode ser pensada sem a consideração da cultura escolar de maneira ampla, do projeto político-pedagógico da escola e das finalidades e ideologias educacionais, que norteiam os educadores de maneira geral. Pensar sobre os prós e contras da lição de casa é, portanto, tarefa para o coletivo, esse importante instrumento para a renovação dos fazeres educativos e pedagógicos.
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domingo, julho 31, 2016

PROCURANDO DORY: O QUE APRENDER SOBRE FALHAS DE MEMÓRIA?

Tatiana Vasques (*)
Acabo de retornar da sessão do filme “Procurando Dory”, e ao assisti-lo fui tomada por uma enorme inquietação! Fiz tantas, tantas, tantas sinapses, que decidi dividir algumas das minhas reflexões…
O filme começa com takes da Dory, a linda peixinha azul, alegre e simpática, ainda bebê, já repetindo: “Oi, eu sou Dory, e sofro de perda de memória recente”. Esta memória “recente” é a de curto prazo, a qual deixamos registradas informações por um período de tempo para que sejam manipuladas, e uma decisão seja tomada.
Este tipo de memória difere-se da memória de longo prazo, daquelas que muitos chamam de “lembranças”. Cada um destes tipos de memória envolve uma área diferente do cérebro e, do mesmo modo, são processadas por meio de contextos bem diferentes.
Pois bem, mas o que me chamou atenção no filme?
A começar pelo título: “Procurando Dory”!
Vamos procurar as “Dorys” da vida real? Quantas “Dorys” existem por aí? Nas escolas, nas empresas, nas ruas? Quais rótulos elas recebem? Não existem somente “Dorys” esquecidas, existem as disléxicas, as disgráficas, as que apresentam déficit de aprendizagem por distúrbios de processamento auditivo, ou até mesmo por síndromes psiquiátricas.
Minha maior inquietação é imaginar quantas destas “Dorys” da vida real não tem a mesma sorte da nossa peixinha da ficção, e são excluídas, rotuladas, apontadas como incapazes, indisciplinadas ou “burras” (perdoem-me a força da expressão, mas infelizmente este palavrão ainda faz parte do vocabulário escolar e acadêmico).
Por meio da repetição, a Dory do filme foi TREINADA por seus pais a encontrar o caminho de casa. Eles mostravam a ela centenas de vezes os caminhos formados por conchas que a levariam até sua casa. Isso se repetiu tantas e tantas vezes até que fixaram um registro inconsciente no cérebro de Dory, como uma marca, uma lembrança, uma memória de longo prazo, ou seja, um APRENDIZADO, que a salvou e motivou a buscar sua família.
Qual a relação podemos tirar deste “treino” para as nossas “Dorys da vida real”? O que as escolas oferecem a elas? E as empresas? Que fique a pergunta para reflexão….
Outro ponto de destaque de nossa personagem, é a capacidade plástica que nosso cérebro possui, pois, mesmo com os problemas no processamento da memória de curto prazo, a peixinha desenvolveu ao máximo sua flexibilidade cognitiva, aquela relacionada a capacidade de mudar, com eficiência, de uma alternativa para outra, tendo em vista as alterações do ambiente. Quando os personagens ditos “normais”, consideravam que todas as alternativas já haviam chegado ao fim, eis que Dory avalia ao redor e lança uma solução viável!
Dory é mesmo sensacional!
Por fim, o que aprender com Dory?
1 – Que todo ser é dotado de Inteligência!  Aquela máxima de “quem é mais inteligente, é o que tira a maior nota”, deve cair por terra. O “mais inteligente” dos dias atuais é aquele que consegue superar seus próprios desafios, adaptar-se nas diversas circunstâncias e, principalmente, ter um comportamento voltado a metas.
2 – O ensino formal precisa, ser revisto! A ludicidade do filme, se trabalhada em conteúdo junto aos educadores, irá apontar tais necessidades. Nos personagens do longa-metragem, há talentos de todo tipo, assim como uma sala de aula repleta de alunos…
3 – Treinamento de funções executivas dever ser o foco das ações educacionais e pedagógicas. Foi exatamente o TREINO que resgatou a autoestima de Dory, e a fez atingir seus objetivos.
4 – Por fim, aprender aquilo que nada sabemos! O mínimo que nos cabe é “continuar nadando!”.

domingo, julho 10, 2016

"UMA LIÇÃO DE VIDA" (OU "O ALUNO"): UM FILME QUE MEXE COM AS NOSSAS EMOÇÕES

Acabo de assistir ao filme "Uma lição de vida" ou "O aluno". O enredo é baseado em uma história real. De todas as lições que podemos retirar do filme, sobretudo dos valores tão bem abordados, as que envolvem a Educação, sem dúvida, para mim, foram as mais significativas, como por exemplo, um idoso, no alto de seus 84 anos de vida, ter a clareza da importância de se saber ler e escrever; que nunca é tarde para aprender e que é preciso cultivar a aprendizagem até o fim; que é preciso fazer valer cada palavra quando se diz "Educação para todos"... 
"Em 2003, o governo queniano anunciou que a educação seria livre para todos. Kimani Ng'ang'a Maruge, de 84 anos, acreditou naquele discurso e foi bater à porta da professora Jane Obinchu, numa escola primária. A história parece fabricada para a tela grande, mas aconteceu de verdade e até rendeu um recorde no Guinness. Depois, inevitavelmente virou filme: 
“Uma Lição de Vida” estreia em agosto no Brasil, com um atraso de quatro anos, e tem tudo para agradar ao gosto brasileiro.Para quem está acostumado a conviver com a EJA (educação de jovens e adultos) universidades abertas à terceira idade, alfabetização de adultos e outros cursos semelhantes, as barreiras de preconceito enfrentadas por Maruge (Oliver Litondo) soam anacrônicas. Mas é preciso lembrar que estamos numa cidade pobre e rural no Quênia, onde a escola tem uma única sala de aula, preparada para 50 alunos, e já recebe mais de 200. Além disso, ela não tem água encanada ou luz elétrica. É como se estivéssemos no mais profundo sertão nordestino. 
Naomie Harris, que também trabalhou com o diretor Justin Chadwick em “Mandela – O Caminho Para a Liberdade”, assume o papel da professora. Sua personagem é um pouco caricata, perdendo alguns pontos em relação a outros clássicos do cinema de educação (como “Mentes Perigosas” ou “Entre os Muros da Escola”), mas isso acaba evidenciando outra vocação do filme: o drama histórico.
Maruge, esse sim, é um personagem completo: quando jovem, ele lutara junto a um grupo extremista pela independência do país. Por conta disso, fora preso e torturado (em cenas que lembram tanto “12 Anos de Escravidão” quanto “Django Livre”) antes de cair na miséria e no esquecimento.
Ressentido, ele tem convicção de que o governo, bem como o povo que hoje vive em relativa paz, tem com ele uma dívida eterna – e, apesar disso, tudo o que pede é a educação. Soma-se à cicatriz colonial outra ainda mais profunda, causada por desavenças milenares entre tribos da região.
“Uma Lição de Vida” peca pelo nome genérico (foi chamado de “O Estudante” em alguns países) e passa perto de uma abordagem igualmente frágil do tema da educação, mas ganha brilho ao dar atenção a uma comunidade tão singular. A cidadezinha e sua escola afastada simbolizam tantas outras, marcadas pela miséria, pela humilhação e pelo preconceito – mas que nem por isso deixam-se perder o orgulho. Podemos vê-lo nos olhos leitores de Maruge." (Fonte:http://www.guiadasemana.com.br/…/uma-licao-de-vida-mostra-j…)

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ALUNA DE ESCOLA PÚBLICA FORMADA EM HARVARD LISTA MITOS SOBRE ESTUDAR FORA DO BRASIL

Filha de ex-vendedora de flores colecionou medalhas em olimpíadas estudantis. Agora, vai trabalhar com educação em multinacional no Brasil.

Vanessa Fajardo (08/07/2016)
Do G1, em São Paulo

Mais do que sorte e talento, Tabata Amaral de Pontes, de 22 anos, atribui suas conquistas às oportunidades. Foram as bolsas de estudo e mentorias que abriram de vez as portas para que a aluna esforçada de escola pública na periferia de São Paulo conseguisse na Universidade Harvard , nos Estados Unidos, seu diploma de graduação em ciências políticas e astrofísica.
A convite do G1 , Tabata reavaliou sua trajetória para listar os cinco maiores mitos sobre estudar fora do país. 

Desde junho de volta ao Brasil, a filha de ex-vendedora de flores está envolvida em um projeto social que ajudou a fundar, o Mapa Educação , que busca mobilizar os jovens para que a educação seja prioridade no debate político. Em agosto, começará a trabalhar em um fundo de educação de uma empresa multinacional em São Paulo.

Trajetória olímpica 
Bem antes da vaga de emprego em uma multinacional, ainda quando estudava na rede pública e tinha 12 anos, Tabata começou uma carreira como "atleta" do conhecimento. Ao todo, colecionou mais de 30 medalhas em olimpíadas de física, química, informática, matemática, astronomia, robótica e linguística.
A possibilidade de morar e estudar no exterior começou a se desenhar quando Tabata teve a oportunidade de deixar a rede pública. À época ela tinha sido destaque na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) e ganhou uma bolsa no Colégio Etapa.
O colégio também bancou moradia e alimentação da estudante porque sua casa ficava distante, e os pais não podiam arcar com a despesa. Lá viu os horizontes se alargarem e ouviu pela primeira vez sobre a possibilidade de fazer faculdade fora do país.
Quando estava no segundo do ensino médio ganhou uma bolsa da escola Cellep para estudar inglês e contou com a ajuda de instituições para cobrir os gastos do application (processo de candidatura às vagas das universidades norte-americanas).

Quando enfim escolheu Harvard, há quatro anos, Tabata também tinha sido aceita por outras cinco universidades americanas, entre elas, Caltech, Columbia, Princeton e Yale.

Tabata Amaral Pontes, de 22 anos, se formou em ciências políticas e astrofísica em Harvard (Foto: Marcelo Brandt/ G1)
CINCO MITOS SOBRE ESTUDAR FORA 
Tabata selecionou e deu sua opinião sobre conceitos que "perseguem" os candidatos:

1) É preciso ser gênio 
Para ser aceito em uma universidade americana, é preciso ser mais que bom aluno. As atividades extracurriculares são muito bem vistas pelos avaliadores. O diferencial de Tabata foi a paixão pelas ciências e pelas olimpíadas. Para ela, não há nada de genialidade por trás das aprovações.
“Tem pessoas que gostam muito de algumas áreas e são dedicadas, por isso acabam indo bem. Harvard vai valorizar que você tenha uma paixão, que se dedique e faça alguma coisa bacana com isso para a sociedade.”

2) Só ricos estudam lá 
Fazer graduação em uma universidade americana de ponta pode custar até R$ 500 mil, incluindo mensalidades, hospedagem e alimentação durante os quatro anos. As bolsas são concedidas a partir da situação socioeconômica da família, e não por mérito. Se o aluno foi aceito, a instituição vai dar as condições para que ele estude, independentemente de sua condição financeira.
Tabata é filha de uma ex-vendedora de flores e tem um irmão, mais novo, universitário. O pai trabalhava como cobrador de ônibus e faleceu pouco antes de ela embarcar para o exterior. A família não poderia arcar com nenhuma despesa. Ela recebeu bolsa integral da universidade e ajuda de custo para transporte, passagens aéreas para o Brasil e compra de livros, mas trabalhou durante o curso para poder ajudar a mãe no Brasil. “Nada que atrapalhasse meus estudos.”
Para ela, falta de dinheiro não é impeditivo. “Se você tem um sonho grande de estudar nos Estados Unidos e não tem como pagar, não desista por isso. Eu realmente não poderia pagar um centavo e consegui.”

Tabata na Índia, onde esteve em 2013, para pesquisar o sistema de ensino (Foto: Arquivo pessoal)

3) Inglês tem de ser fluente 
application exige um teste que mede da proficiência do aluno no inglês (Toefl) e uma prova chamada SAT, uma espécie de Enem americano, toda em inglês. A ideia é medir o quanto o aluno domina o idioma. No entanto, para ser aprovado, no processo como um todo, a fluência no inglês não é determinante.
Tabata aprendeu inglês em um ano, depois que ganhou a bolsa do Cellep. Ela conta que conseguiu ter notas suficientes nas provas do application , mas não era fluente.
“Tinha um inglês muito ruim. Chegando em Harvard tive dificuldade de me comunicar com os americanos, tanto que meus melhores amigos são os latinos e os indianos. Fui sentir que estava fluente só depois do meu primeiro ano, quando fui entender música e filme.”
Ela conta que só foi fazer piadas em inglês no último ano de curso. “Lembro da primeira vez que alguém falou para mim: a Tabata também está engraçada em inglês. Não lembro o que eu disse, mas um amigo falou: nossa ‘ up grade ’!”

4) Quem estuda nos Estados Unidos não volta para o Brasil 
Ficar nos Estados Unidos nunca foi um projeto, mesmo com as pessoas dizendo que retornar ao Brasil seria uma “burrice.” Ela elenca pelo menos dois motivos: o contexto político pelo qual o país atravessa e a vontade de impactar a educação.
“Eu estudei ciências políticas, sou fascinada por esse tema. A gente está passando por um contexto histórico muito importante para o Brasil. Então, quer laboratório mais bagunçado e mais interessante para quem gosta de aprender como esse?”
Tabata diz que se ficasse nos Estados Unidos seria mais difícil voltar depois ao Brasil. “Lá a vida é mais fácil, mais segura e mais meritocrática. Só que eu quero ter impacto aqui, entrar para a política. Nunca considerei ficar.”

Neve era a diversão quando a temperatura baixava e chegava até 27 graus negativos (Foto: Arquivo pessoal)
5) Meritocracia: quem quer consegue 
A história da brasileira inspira muitos comentários do tipo “quem quer consegue”, mas para ela, suas conquistas não têm a ver com mérito.
“Vivemos em um país muito desigual e injusto. Tive a benção de ter muitas oportunidades bacanas e aproveitar. Esforço é muito importante, mas se eu não tivesse tido essas oportunidades eu não estaria aqui.”
Ela diz que sua trajetória prova o quanto a educação pode transformar e servir de inspiração. “Se você pegar a população brasileira e der uma educação de qualidade, boas oportunidades, nosso país vai ser mais justo e mais bacana. Não dá para falar ‘quem quer consegue’ porque não é assim. Quem quer e está em uma escola pública de baixa qualidade em uma cidade pequena, não consegue. Sinto muito, mas é verdade.”

Dificuldades e lições 
A adaptação em Harvard não foi fácil. Ela embarcou logo após perder o pai, teve dificuldades com idioma, com a “comida sem sabor” e com o frio, que chegava até 27 graus negativos. “Me senti sozinha e cheguei a me questionar se aquele era realmente meu lugar.”
Mas vieram os amigos e a vida, entre estudos e trabalho, foi tomando rumo. “Levou um tempo para eu me encontrar, mas Harvard passou a ser um dos meus lugares preferidos no mundo que eu sinto muitas saudades agora.”
De lá, a maior lição que fica é a importância das pessoas. “Quando você passa quatro anos com gente tão fora de série, você se sente com vontade de fazer mais. Não importa o que eu faça, vou me preocupar em estar perto de pessoas que sabem muito mais do que eu. O que te faz crescer são as pessoas.”

Tabata com ao lado do irmão Alan e da mãe Reni na formatura em Harvard, no fim do mês de maio (Foto: Arquivo pessoal)
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Fonte: G1

quarta-feira, julho 06, 2016

DEPOIS DE VOCÊ, DE JOJO MOYES

Sabe aquele livro que você começa a ler e não consegue parar? Aí você pensa: "Ah... vou ler só mais uma página... mais duas? Ah... só mais um capítulo...". Quando vê, você já está há um tempão envolvida com a leitura e se recusa a deixar para amanhã... "Como assim deixar para amanhã?" (E a madrugada segue...). É preciso saber o desfecho desse enredo tão cativante! Foi assim com o "Como eu antes de você" e, com a sequência, o "Depois de você", não foi diferente (ambos da autora Jojo Moyes). Assisti ao filme "Como eu era antes de você" e confesso que fiquei um tantinho decepcionada... Eu esperava mais! Há no livro uma riqueza tão grande de detalhes, de sentimentos, de dramas pessoais/essenciais/existenciais que o filme (infelizmente) não conseguiu retratar. Não vou, contudo, dizer que o filme é "ruim", mas é extremamente superficial. #dica: Leia o livro antes de assistir ao filme!
Agora, #partiu "próximo livro"!



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