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sexta-feira, janeiro 09, 2015

RETROSPECTIVA: DEZEMBRO/2014


01 e 02/12/2014: ATPC 




 * Vídeo: "Partly Cloudy" (Parcialmente Nublado) / "Festa nas Nuvens"




* Questionário (auto)avaliação:

 


03/12/2014: Envio do RELATÓRIO FINAL - FUNDAÇÃO LEMANN



11/12/2014: FORMATURA (9º Anos - Ensino Fundamental e 3ª Série - Ensino Médio)

1ª Parte: 



2ª Parte: 



3ª Parte: 



12/12/2014: Curso MGME (Melhor Gestão, Melhor Ensino) - Gestão (Aprofundamento): Resultado

Fechando mais um curso com chave de ouro!! 
Enfim... Mais um curso concluído: Melhor Gestão, Melhor Ensino (MGME) - Aprofundamento de Conteúdos e Metodologias - Gestão - 1a edição/2014. 

Gostaria de enfatizar a relevância do referido curso, a qualidade inquestionável do material (excelente), aproveitando para parabenizar as autoras do curso, Rosemary Nicácio e Vera Ponciano. 
Parabenizo também a tutora Angela Maria Toniollo Sarni, pelo acompanhamento e dedicação durante todo o percurso de realização de atividades/tarefas.
Agradeço também pela parceria com Diretora da Escola - EE do Jardim Souza Lima, Maria Clima Mambeli e a Profa. Coordenador do Ensino Fundamental, Maria Eloisa Dos Santos, durante a realização das atividades que envolviam a equipe gestora (Atividade de Viência - 1 e 2). 

São cursos como esse que me fazem acreditar que vale a pena investir em formação! Vale a pena acreditar que é possível mudar a nossa realidade!!! Obrigada a todos!!!


Clique na imagem para ampliá-la

22/12/2014: FUNDAÇÃO LEMANN


E o tão esperado resultado finalmente foi divulgado: fomos classificadas, eu e Maria Clima Mambeli, em terceiro lugar dentre os melhores trabalhos apresentados ao Curso de Gestão para a Aprendizagem da Fundação Lemann - 2014. Estamos muito felizes: mais uma conquista! E que venham outras... e que venham novos desafios - 2015 promete!!!
E o tão esperado resultado finalmente foi divulgado: fomos classificadas, eu (Silvana Maria Moreli) e Maria Clima Mambeli, em terceiro lugar dentre os melhores trabalhos apresentados ao Curso de Gestão para a Aprendizagem da Fundação Lemann - 2014. Estamos muito felizes: mais uma conquista! E que venham outras... e que venham novos desafios - 2015 promete!!!

Segue abaixo o e-mail recebido da nossa orientadora:


Maria Luiza Ramos - 22/12/2014
Para eu silvana.moreli@yahoo.com.br

Olá, pessoal!
Foram escolhidos os melhores planos implementados neste semestre. Segue a relação dos 3 primeiros 
colocados:

1º lugar: 

EE PROFª AMALIA GARCIA RIBEIRO PATTO
Av. Sete de Janeiro, s/nº, Bairro Jardim Santana, Tremembé, SP, CEP 12120-000, Telefone (012)3672-5047
A/C: Josiane Simões (Diretora) e Neander Medeiros Rios (Coordenador Pedagógico)
PREMIAÇÃO: 
* 1 ANO DE ASSINATURA DO JORNAL JOCA (12 ASSINATURAS - UMA PARA CADA TURMA)
* 1 KIT DE LIVROS DE ESTUDO PARA PROFESSORES E GESTORES - PARA A BIBLIOTECA DA ESCOLA - a ser  encaminhado pela Fundação Lemann.
* Participação no próximo presencial do curso Gestão para Aprendizagem (dia 02/02, em São Paulo) para contar as experiências vivenciadas no curso Gestão para Aprendizagem e com a implementação do Plano de Ação.

2º lugar:

EM ALEXANDRE KANNBLEY MELOTTI
Endereço: R. Antônio Rodrigues dos Santos, 71 – Nova Tanabi, Tanabi, SP, CEP 15170-000, Tel. (17) 32721358
A/C: Luciana Caroline Cambiaghi (Coordenadora)  e Marina Moraes de Vilhena (Diretora)
* 1 ANO DE ASSINATURA DO JORNAL JOCA (17 ASSINATURAS - UMA PARA CADA TURMA)
* 1 KIT DE LIVROS DE ESTUDO PARA PROFESSORES E GESTORES - PARA A BIBLIOTECA DA ESCOLA - a ser encaminhado pela Fundação Lemann.

3º lugar:
EE DO JARDIM SOUZA LIMA
Endereço: Rua Pedro Lopes, nº 300 - Bairro Residencial Bebedouro, Bebedouro, SP, CEP 14.710-032 – Tel. (17) 3343-0551 e 3343-0527
A/C: Maria Clima da Silva Mambeli (Diretora) e Silvana Maria Moreli (Coordenadora)
* 1 KIT DE LIVROS DE ESTUDO PARA PROFESSORES E GESTORES - PARA A BIBLIOTECA DA ESCOLA - a ser encaminhado pela Fundação Lemann.

Abraços a todos,

Malu
25/12/2014: Almoço de Natal em família

quarta-feira, outubro 15, 2014

15/10 - DIA DO PROFESSOR

A todos os professores, colegas de profissão, meus parabéns pela data! Que Deus os abençoe hoje e sempre! Um grande abraço!!!


"Todo mundo tem um professor guardado em um cantinho no peito. Aquele professor que de alguma forma mudou o seu destino. Aquele professor que te ensinou a enxergar o mundo como você o vê agora. Que te inspirou e que em um determinado momento da vida fez você tomar o caminho que te trouxe até aqui. Todo mundo tem um professor que foi mais do que um professor. Alguém que muito embora você nunca mais tenha visto, vez em quando se depara com uma situação no seu dia a dia que faz lembrar do que ele te ensinou, daquela lição em sala de aula, daquela história bem contada ou daquele exemplo que você jamais esqueceu. Todo mundo tem um, ou vários professores, que foram exatamente assim.

Hoje é um bom dia para se lembrar dessas pessoas que optaram pela profissão mais nobre dentre todas. Escolheram ser a ponte. Optaram por ser aquele que permite que os sonhos fiquem ao alcance das mãos. 
Essa é uma homenagem do Dia do Professor para todos os mestres que passaram pela minha vida, e para todos os meus colegas de profissão. Tenho para mim que ninguém escolhe ser professor. Alguns de nós nascemos com essa nobre missão!" - Rafael Magalhães

segunda-feira, agosto 18, 2014

18/08: MEU ANIVERSÁRIO... MUITO FELIZ!!!!

Hoje é meu aniversário e um dos meus melhores presentes foi essa linda mensagem que recebi da minha filha, Lays!!! Deus, na sua infinita bondade, me concedeu a dádiva de ser mãe desse ser maravilhoso!!! Obrigada, Senhor!!!!

By Lays Gamboni Moreli
"Hoje é o dia da pessoa mais Diva que já conheci e tive o prazer de conviver desde menina, e ainda recebi a dádiva de chama-la de mãe! Sempre maquiada, montada no salto e amante da moda! Os anos se passam mas não conseguem tirar de você todo o brilho e glamour que é natural em você. Se alguns dizem que beleza e inteligência não caminham juntas é porque não te conhecem, além de linda e vaidosa é um poço de dedicação quando se trata em busca pelo saber! Você com certeza é o orgulho da nossa família e de todos os amigos que te cercam, porque é impossível não gostar de você, e hoje só tenho a agradecer a Deus pelo dom da sua vida e por ter escolhido tão bem a MINHA MÃE! Te desejo que não lhe falte amor, que lhe sobre saúde, que você tenha sorte, que suas dores sejam breves, que seus pesos sejam leves e que sua vontade de ser feliz seja uma teimosia. Te amo mãe! Feliz aniversário!!!!" (Lays Gamboni Moreli)



sexta-feira, agosto 15, 2014

A CORRUPÇÃO DEGENERA A VIDA EM SOCIEDADE


A corrupção degenera a vida em sociedade
entrevista com Marcia Tiburi, publicada na edição 449 (Mundo Jovem), agosto de 2014.
Marcia Tiburi
Márcia Tiburi
Filósofa e professora na Unisinos e Unilasalle.marcia.tiburi@terra.com.br

O que enxergamos e o que as mídias apresentam como corrupção provavelmente seja apenas a ponta do iceberg. Existe algo mais profundo, que está enraizado em nossa cultura e, sobretudo, no sistema econômico predominante, o capitalismo, que leva a nos corromper. Para superar este vício, há muito que ser feito, especialmente através de uma educação para a ética, a autorreflexão e a sinceridade, que revelem os fatos com a transparência exigida naquilo que é de todos. São reflexões e caminhos que nos apontam esta entrevista com a escritora e filósofa Marcia Tiburi.

·         O que é a corrupção e o que ela ocasiona em uma sociedade?
Em um sentido estrito, a corrupção é um procedimento de algumas pessoas que, tendo em geral o poder político nas mãos, ou alguma outra forma de poder que poderia beneficiar a sociedade, decidem aproveitar-se dele em seu próprio favor. O desvio da verba pública para um fim privado seria um exemplo evidente. Porém podemos usar o termo corrupção em um sentido expandido, que parece mais atual em nosso caso brasileiro. No Brasil, a corrupção tornou-se praticamente um hábito que funciona tanto na esfera privada quanto na pública. Isso não é de modo algum algo natural. Mas é fruto das relações na forma como elas estão estabelecidas. Nesse sentido, creio que seja possível dizer que é a negação do outro, seja o outro como indivíduo, seja o outro como sociedade em geral, que funda a corrupção. A corrupção é uma prática em sociedades nas quais está em cena o desprezo pela própria ideia de sociedade, pela universalidade implicada em ideias como a de humanidade, pelo "geral", e assim pelo político.

·         Fala-se muito da corrupção na política, e os meios de comunicação alimentam isso. Mas estes políticos estão a serviço de quem? Quem corrompe os corruptos?
Ninguém corrompe os corruptos senão eles mesmos. A corrupção é responsabilidade de cada um. Não podemos colocar a "culpa" no sistema político, no todo social ou em qualquer "totalidade" à qual estaríamos submetidos, como no caso de um partido político. Isso apenas eximiria cada um de sua responsabilidade, que seria lançada no todo como uma abstração. As pessoas dizem "o poder corrompe" como se o poder, no momento em que se o possui, não fosse responsabilidade sua. Só podemos nos responsabilizar pelo poder que temos. A liberdade, por exemplo, é um poder. O poder de ir e vir, de ser e estar. Só o poder pode nos levar a irresponsabilidades. Quando o poder de uns é desproporcional aos direitos de outros, podemos dizer que estamos num cenário autoritário. O autoritarismo pode favorecer a corrupção porque nele a raiva da coisa pública cresce, e necessariamente o desejo de burlar alguma regra. É provável, nesse sentido, que as pessoas pratiquem corrupção de diversos tipos, não porque planejaram algo, mas porque houve uma ocasião e naquele momento uma lacuna de senso moral surgiu devorando toda ação ética possível.

·         O povo em geral e os eleitores também são cúmplices da corrupção, quando não participam e quando escolhem mal seus representantes?
Não penso que as coisas sejam assim tão diretas. Os motivos pelos quais as pessoas votam em um ou outro político dependem de muitos fatores: classe social, econômica, intelectual, ideologias. Ninguém pode ser condenado por escolher um político em um processo democrático. A omissão, a meu ver, não é a corrupção. A corrupção é sempre ativa. Alguém poderia se livrar da corrupção não fazendo alguma coisa. Às vezes devemos "preferir não", como diz o personagem Bartleby no livro Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville. A corrupção é muito comum entre nós, mas ela não é a totalidade da vida pública e política. É verdade que ela se tornou uma espécie de nova "moral", no sentido de hábito e costume, mas ela sempre será o contrário da "ética". A ética é o contrário da corrupção, e não admite negociação nesse campo.

·         Fala-se também que a corrupção está no DNA dos brasileiros, o jeitinho brasileiro. É isso mesmo?
Esse tipo de teoria que naturaliza e essencializa um comportamento socialmente construído não nos ajuda. Ela explica pela natureza e pela essência algo que deveria ser pensado no contexto da sociedade. O próprio jeitinho brasileiro é uma teoria apenas interessante, que não faz mais do que manter ligada essa máquina da naturalização capaz de explicar todas as coisas. Queremos explicação e partimos para esse tipo de teoria. É uma pena, pois perdemos de vista a análise das relações de poder e dos posicionamentos éticos que poderiam nos ajudar a encarar de frente o problema.
·         Tu já escreveste que "o capitalismo é a ordem máxima da corrupção". Por que afirmas isso?
O sistema econômico e político em que vivemos, ao qual se deu o nome de capitalismo, significa o privilégio do capital diante de qualquer outro valor possível. Isso quer dizer que nada mais importa além do capital. Tudo o que serve ao capital pode ter sentido, mas apenas enquanto serve a ele. Esta "substancialidade" do capital contra as outras esferas da vida humana, o resto da experiência possível, é totalmente perigosa em termos sociais. Por isso, eu estava querendo dizer com esta afirmação que o capitalismo é um sistema cujo privilégio do econômico destrói a esfera política e social. A destrutibilidade de tudo aquilo que não serve ao capital implica que o próprio caráter essencial do capital contém o "germe" da corrupção.

·         Por que a corrupção parece um problema sem solução? É a impunidade?
Por um lado, certamente, mas apenas na exterioridade. No fundo, há a questão ética e ela tem sido pouco colocada. Creio que até mesmo o atual desinteresse pela ética na ordem da esfera pública tem relação com isso. Pouco se fala em ética hoje em dia. Ética virou assunto de especialistas. Ela não vale nada em uma sociedade que afirma que "o poder corrompe", quando, na verdade, o que corrompe é a falta de ética. E o que é ética? De modo algum seria a punição pura e simples. Ela é a autoconstrução de si, que implica a capacidade de conectar em si mesmo o sentimento de si e da sociedade. A ética é o que constrói a política desde dentro. A construção de cada um como sujeito social, como cidadão, como ator político.

·         O que fazer para que tenhamos uma política e uma sociedade mais honesta/ mais ética?
De um certo ponto de vista, precisamos de instituições fortalecidas eticamente. Há muito trabalho das comissões de ética do governo atuando em diversas esferas pela melhoria do ponto de vista e das práticas que implicam ética. Na política legislativa e executiva, a coisa fica complicada, pois se trata da ação por melhorias e mudanças. Mas ética não é só código de ética, não é só moral a ser seguida. É também autocompreensão de si e compreensão da sociedade. Penso que uma educação que se voltasse para a ética nos ajudaria muito neste aspecto.

·         A Reforma Política, com o financiamento público das campanhas, pode ser uma alternativa para frear a corrupção?
Certamente, um dos parâmetros éticos que desarticulam a corrupção é a transparência, a sinceridade, a exposição dos jogos internos do poder econômico e político. Note como a corrupção precisa estar escondida para dar certo. Ela deve ser velada para acontecer. Não há corrupção a céu aberto. Daí a importância da denúncia, seja de que tipo for. Temos que falar abertamente sobre corrupção como ato cotidiano. Campanhas que envolvam meios de comunicação e outras instituições, tais como a escola. E um movimento de "abertura" em torno do tema que alcance pessoas de todas as idades e profissões seja algo prático a ser feito.

·         Jogar a responsabilidade para os outros favorece a corrupção?
É uma estratégia. Digamos que eu seja corrupta, tenha desviado uma verba, favorecido alguém ilicitamente em uma licitação, aceitado algum tipo de dinheiro em troca de algum tipo de favor ilegal, mas que ao mesmo tempo deixava uma brecha que favorecia a realização do ato... Se eu fizer isso e for descoberta, certamente vou buscar uma desculpa dizendo que "é assim que todo mundo faz". Mas a questão ética está também no que eu respondo para mim mesmo quando faço a corrupção que faço. Não apenas no que eu respondo aos outros, mas no que digo para mim mesmo. O problema é, então, o da relação das pessoas com elas mesmas. Este valor de si mesmo, este valor do "ser para si" não está em jogo nesta era em que nos ocupamos apenas com a superfície da vida, ou seja, com a aparência das coisas. A esfera íntima, privada, autorreflexiva, foi jogada no mar de gelo do espetáculo.

Educar para a ética e a cidadania

A desvalorização da esfera pública parece ser um fato cultural generalizado. Mas a cultura é também formação. Isso quer dizer que ela se cria também pela educação. Creio que o descaso com a formação, no sentido mesmo de educação, leva ao abandono da esfera pública. É a nossa formação que nos ensina a valorizar alguma coisa. Vivemos sob uma espécie de nuvem pesada em nome da qual algo como a própria ideia de “sociedade” não vale a pena. Então, as pessoas se voltam para si mesmas. Surge uma moral individualista, em que os interesses privados são sempre maiores do que os públicos. Tudo o que é pessoal parece ser antissocial. A aniquilação da esfera pública significa, neste caso, fim do “político”. A questão seria tentar reconectar esses territórios, o pessoal e o político, a esfera privada e a pública, mostrando como são interdependentes.
E a grande pergunta é sempre a pergunta pelo “como”. Mas “como”? Aquilo que está possivelmente sendo feito nas escolas provavelmente seja nada, salvo alguma alternativa pontual que não vem a público. Quer dizer, não sabemos o que fazer e não imaginamos que alguém esteja fazendo algo.
Então, o que precisaria ser feito: campanhas de conscientização, debates, textos de divulgação do tema, projetos pedagógicos e culturais em torno da ética. É provável que o tema da ética seja assunto apenas dos professores de Filosofia, mesmo assim é provável que seja tratado em poucas aulas e na forma de um conteúdo a ser transmitido. A ética não é um conteúdo, ela é uma reflexão e uma prática de reflexão que leva a outras ações.
Mais precisamente uma filosofia prática. Como ensinar filosofia prática? Ensinando a pensar. Como ensinar a pensar? Conversando, propondo desafios teóricos e práticos, que envolvam pesquisa e ação, investigação e arte. Há coisas muito práticas a fazer: praticar a sinceridade, a autorreflexão, a autoformação. A sinceridade deve ser uma prática ética. As coisas, por mais dolorosas que possam ser, por mais comprometedoras, devem ser ditas. Certamente, a principal mediação a esse gesto deve ser o respeito. O problema é que vivemos numa cultura em que o descaso consigo mesmo e com o outro é a regra, e o respeito a si e ao outro não encontra sentido. O problema é que as pessoas esquecem ou nunca conheceram essas potencialidades. Refiro-me ao autoconhecimento. Talvez isso deva novamente ser colocado em cena.
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Fonte: Mundo Jovem

15/08/2014: ANIVERSÁRIO DO MEU PAI

Hoje é aniversário do meu pai, Alfredo Moreli. 
Peço que Deus, na sua infinita bondade, lhe conceda muita saúde, paz, amor... muitas bençãos... muita vida!!! 
Um grande abraço, pai!!!! !!!!

Em Pitangueiras, SP. - Silvana e Alfredo Moreli
Em Pitangueiras, SP. - Almoço - Família Gamboni


domingo, junho 08, 2014

JUIZ NEGA DANO MORAL A ALUNO QUE TEVE O CELULAR TOMADO EM SALA DE AULA

“O professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe.”
As palavras acima são do juiz de Direito Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª vara Cível e Criminal de Tobias Barreto/SE, ao julgar improcedente a ação de aluno em face de professor que tomou seu celular em sala de aula.
De acordo com os autos, o docente retirou o aparelho do aluno, que ouvia música com fones de ouvido durante sua aula. O menor, representado por sua mãe, ajuizou ação para pleitear dano moral, para reparar seu “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”.
Ao analisar o caso, o juiz Eliezer solidarizou-se com a situação dos professores.
“Ensinar era um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, parece um carma”.
Afirmou, então, que o aluno descumpriu norma do Conselho Municipal de Educação, que veda a utilização de celular durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, o comando do professor.
Para o magistrado, não houve abalo moral, uma vez que o aluno não utiliza o aparelho para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade.
“Julgar procedente esta demanda é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os “realitys shows”, a ostentação, o “bullying” intelectivo, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectivamente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira.”
Por fim, o juiz prestou uma homenagens aos docentes.
“No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro herói nacional, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu “múnus” com altivez de caráter e senso sacerdotal: o Professor.”

domingo, março 16, 2014

Edição do dia 16/03/2014
16/03/2014 21h57 - Atualizado em 16/03/2014 21h57
Escola pública de cidade do Piauí tem alunos motivados e ótimos resultados

A escola Augustinho Brandão acumula dezenas de medalhas em Olimpíadas de Matemática e Química, e prêmios de astronáutica, astronomia e física.

No Brasil, temos 40 milhões de alunos. Ou seja, um quinto da população está na escola. Somos a sexta maior economia do mundo, mas na educação, estamos em 88º lugar. Os professores ganham mal e os alunos não gostam das aulas. Por que tem que ser assim?

A gente tem no Brasil uma tendência de arrumar culpado. E quando você vai no fundo, cadê o culpado? O culpado morreu há 30 anos e você está oprimido por aquele culpado. A gente tem que tomar conta do Brasil”, afirma Viviane Mosé, filósofa.

Algumas escolas já começaram a tomar conta do Brasil. O Fantástico pesquisou e encontrou escolas públicas em áreas pobres que possuem uma educação com qualidade de primeiro mundo, com médias melhores que as de escolas particulares e aprovando a maioria dos alunos no vestibular.

“Nós chegamos a ter instantes dentro dessa escola que tínhamos que expulsar os alunos, no bom sentido. Aqui parecia que era o melhor lugar. O menino estudava de manhã, mas ele queria ficar à tarde, queria ficar à noite, queria passar a madrugada estudando, porque aqui ele se sentia bem”, conta Narjara Benício, diretora regional.

A equipe do Fantástico viajou 12 mil quilômetros pelo Brasil, visitou escolas, conversou com pais, alunos, professores, especialistas na área de educação e com pessoas que vieram de escolas públicas.

Na série Educação.doc , viaje com o Fantástico e descubra o segredo dessas escolas públicas de alta qualidade.

O primeiro destino é Cocal dos Alves, no Piauí, uma pequena cidade, de economia rural, em um dos estados mais pobres do Brasil. Lá, a escola Augustinho Brandão já acumula dezenas de medalhas em Olimpíadas de Matemática e Química, e prêmios nacionais de astronáutica, astronomia e física. No Enem, está acima da média nacional.

“Em 2010, a escola aprovou todos os alunos que fizeram o vestibular. Todos”, destaca Aurilene Vieira, diretora.

“Se o pessoal se conscientizasse que a educação pode transformar, ia acontecer uma grande diferenciação. E foi o que aconteceu nesse colégio. Conscientizar tanto alunos quanto professores”, diz Franciele de Brito, aluna.

“Eu ouvi a vida toda que a educação pública é uma educação de péssima qualidade. Cresci ouvindo isso. E eu faço de tudo para mudar essa realidade. Eu acredito na escola pública. Não é possível que não dê certo em um país tão lindo, tão cheio de diversidades culturais, tão rico, não tem por que a educação não dar certo”, afirma Socorro Vieira, professora.

A mudança em Cocal dos Alves começou em 2003, quando a diretora Narjara e um grupo de professores receberam a missão de abrir a primeira escola de ensino médio da cidade.

“Aqui, nesse início de trabalho, vivenciamos as situações mais adversas que o público possa imaginar, de falta de tudo. Mesmo assim o trabalho aconteceu. Quando aconteceu, os apoios, aquilo que já era para estar sendo fomentado naturalmente, aconteceram”, revela Narjara Benício, diretora regional.

Para abrir a escola era necessário que os professores fizessem uma especialização na universidade. E isso foi feito.

“Na tentativa de ingressar os professores na universidade, tivemos nossos primeiros embates políticos. Aconteceu que no primeiro ano, nos esforçamos bastante para que todas as pessoas que ingressassem por Cocal dos Alves, para estar no ensino superior, fossem de Cocal dos Alves. E para isso, eu tive que fazer uma loucura. Porque aí tem: ‘Ah, queria beneficiar o fulano da cidade vizinha, porque é meu parente ou meu colega’. E eu tive meu primeiro embate. Disse: ‘Olha, eu não permito isso’. Se são os recursos de Cocal dos Alves que estão sendo usados, é para beneficiar o pessoal de Cocal dos Alves. E para isso tive que esconder papel timbrado, para não darem nenhuma declaração para as pessoas que não eram de Cocal dos Alves. Queriam fazer uma ‘farrinha’ com as declarações para aproveitar as vagas. Aí, foi minha primeira briga”, lembra a diretora.

Depois que ela conseguiu enfrentar o sistema e formar um grupo de professores de Cocal dos Alves, eles se reuniram e fizeram um pacto para tentar fazer uma escola de qualidade que conseguisse colocar os alunos nas melhores faculdades da capital do estado, Teresina.

“Nosso maior desafio foi fazer os alunos acreditarem nisso. Alunos filhos de pais analfabetos, da roça, que só tinham o que comer, que só dava para o sustento, a roupinha ruim. Então para fazer esses meninos viajarem nesse sonho, de que era possível sem ter dinheiro, sem ter uma roupa boa, ir lá para Teresina, para a capital, estudar lá. Foi necessário o sonho. Acreditar no sonho. Quando a gente conseguiu fazer esse povo acreditar mesmo que era possível estudar fora, se formar e mudar de vida, pronto. O aluno entra na escola Augustinho Brandão e já começa a sonhar: ‘o que eu vou querer ser?’”, afirmou Aurilene Vieira, diretora.

“Eu não vejo uma missão maior para a escola do que compartilhar esse conhecimento para que a pessoa consiga encontrar o lugar dela no mundo. Então, a escola, sim, é a grande mola propulsora que empurra as pessoas para a direção do sonho delas”, destaca Emicida, músico que estudou em escola pública.

Os alunos criaram um jornal que é distribuído por toda a cidade.

“Nós percebemos a necessidade de trazer a notícia para o povo”, diz uma das estudantes que criam o ‘Jornal Social’.

“Não tem nenhum intelectual que pode sentar, por mais genial que seja, e dizer: ‘eu sei a saída para a educação brasileira’. Porque não tem uma saída. São muitas. É assim que eu faço o diagnóstico, não só da educação, mas da sociedade. Tudo está no chão. Algumas coisas muito interessantes começam a brotar de modo novo, corajoso”, afirma Viviane Mosé.

“A escola tem recebido caravanas e caravanas com estudantes e estudiosos da educação para saber o que acontece aqui. Eu digo: ‘não precisa não’. Basta que cada um faça o seu papel e faça isso com engajamento. Seja professor que você quer ser professor e não porque lhe falta opção na vida. Seja gestor porque você quer conduzir aquela escola proporcionando o melhor para o aluno, e não porque você quer fugir de uma sala de aula. Seja sistema porque você tem ideias para contribuir e quebrar os paradigmas que forem necessários.

Então a partir do momento que cada um de nós enquanto sistema, enquanto professores, enquanto pai de aluno focarmos no principal do processo que é o aluno, isso pensando nele enquanto profissional, ser humano, criança, adolescente, respeitando suas peculiaridades, sua faixa etária. Nós pensarmos nisso com valores e não nos moldes que está se perpetuando: ‘cada um por si e deus por todos’”, ressalta Narjara Benício.

“Quando o pessoal cair na real e perceber que não tem outra forma de se ter um futuro melhor sem ser pela educação, aí vai acontecer a grande diferença, a grande melhoria”, destaca Franciele de Brito, aluna.

domingo, dezembro 08, 2013

LIMA BARRETO... TÃO ATUAL!!!

Lima Barreto

Certas manhãs quando desço de bonde para o centro da cidade, naquelas manhãs em que, no dizer do poeta, um arcanjo se levanta de dentro de nós; quando desço do subúrbio em que resido há quinze anos, vou vendo pelo longo caminho de mais de dez quilômetros, as escolas públicas povoadas.
Em algumas, ainda surpreendo as crianças entrando e se espalhando pelos jardins à espera do começo das aulas, em outras, porém, elas já estão abancadas e debruçadas sobre aqueles livros que meus olhos não mais folhearão, nem mesmo para seguir as lições de meus filhos. Brás Cubas não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria; eu, porém, a transmitiria de bom grado.
Vendo todo o dia, ou quase, esse espetáculo curioso e sugestivo da vida da cidade, sempre me hei de lembrar da quantidade das meninas que, anualmente, disputam a entrada na Escola Normal desta idade; e eu, que estou sempre disposto a troçar as pretensões feministas, fico interessado em achar no meu espírito uma solução que satisfizesse o afã do milheiro dessas candidatas a tal matricula, procurando com isso aprender para ensinar, o quê? O curso primário, as primeiras letras a meninas e meninos pobres, no que vão gastar a sua mocidade, a sua saúde e fanar a sua beleza. Dolorosa coisa para uma moça...
A obscuridade da missão e a abnegação que ela exige, cercam essas moças de um halo de heroísmo, de grandeza, de virtudes que me faz naquelas manhãs em que sinto o arcanjo dentro da minha alma, cobrir todas elas da mais viva e extremada simpatia. Eu me lembro também da minha primeira década de vida, de meu primeiro colégio público municipal na rua do Resende, das suas duas salas de aula, daquelas grandes e pesadas carteiras do tempo e, sobretudo, da minha professora - Dona Teresa Pimentel do Amaral - de quem, talvez se a desgraça, um dia, enfraquecer-me a memória não me esqueça de todo.
De todos os professores que eu tive, houve cinco que me impressionaram muito; mas é, dela que guardo mais forte impressão.
O doutor (assim o tratávamos) Frutuoso da Costa, um deles, era um preto mineiro, que estudara para padre e não chegara a ordenar-se. Tudo nele era desgosto, amargor; e, as vezes, deixávamos de analisar a Seleção, para ouvirmos de sua feia boca histórias polvilhadas dos mais atrozes sarcasmos. Os seus olhos inteligentes luziam debaixo do pince-nez e o seu sorriso de remoque mostrava os seus dentes de marfim de um modo que não me atrevo a. qualificar. O seu enterro saiu de uma quase estalagem.
Um outro foi o Senhor Francisco Varela, homem de muito mérito e inteligente, que me ensinou História Geral e do Brasil. Tenho uma notícia de polícia que cortei de um velho Jornal do Comércio de 1878. Desenvolvida com a habilidade e o savoirfaire daqueles tempos, contava como foi preso um sujeito por trazer consigo quatro canivetes. "Explorava-a", como diz hoje nos jornais, criteriosamente o redator dizendo que “ordinariamente basta que um homem traga consigo uma única arma qualquer para que a polícia ache logo que deve chamá-lo a contas". Isto era naquele tempo e na Corte, pois o professor Chico Varela usava impunemente não sei quantos canivetes, quantos punhais, revólveres; e, um dia, apareceu-nos com uma carabina. Era no tempo da Revolta. Gabava-se, no que tinha muita razão, de ser parente de Fagundes Varela; mas sempre citava a famosa metáfora de Castro Alves, como sendo das mais belas que conhecia: “Qual Prometeu tu me amarraste um dia"...
Era um belo homem e, se ele ler isto, não me leve a mal. Recordações de menino...
Foi ele quem me narrou a lenda dos começos da guerra de Tróia, que, como sei hoje, é da autoria de um tal Estásinos de Chipre. Parece que é fragmento de um poema deste, conservado não sei em que outro livro antigo. O filho do rei de Tróia, Páris, foi chamado a julgar uma contenda entre deusas, Vênus, Minerva e Juno.
Houvera um banquete no céu e a Discórdia, que não havia sido convidada, para vingar-se, atirou um pomo de ouro, com a inscrição – “À mais bela". Páris, chamado a julgar quem merecia o prêmio, entre as três, hesitou. Minerva prometia-lhe a sabedoria e a coragem; Juno, o poder real e Vênus... a mulher mais bela do mundo.
Aí, ele não teve dúvidas: deu o “pomo" à Vênus. Encontrou-se com Helena, que era mulher do rei Menelau, fugiu com ela; e a promessa de Afrodite foi cumprida. Menelau não quis aceitar esse rapto e declarou guerra com uma porção de outros reis à Tróia. Essa história é da mitologia; pois hoje me parece do catecismo. Naqueles dias, ela me encantou e fui da opinião do troiano; atualmente, porém, não sei como julgaria, mas certo não desencadearia uma guerra por tão pouca coisa.
Varela contava tudo isto com uma eloqüência cheia e entusiasmo, de transbordante paixão; e, ao me lembrar ele, comparo-o sempre com o doutor Ortiz Monteiro, que foi meu lente, sempre calmo, metódico, não perdendo nunca um minuto para não interromper a exposição da sua geometria descritiva. A sua pontualidade e o seu amor em ensinar a sua disciplina faziam-no uma exceção no nosso meio, onde os professores cuidam pouco nas suas cadeiras, para se ocuparem de todo outro qualquer afazer.
De todos eu queria também falar da Senhor Oto de Alencar, mas que posso eu dizer da sua cultura geral e profunda, da natureza tão diferente da sua inteligência da nossa inteligência, em geral? Ele tinha alguma coisa daqueles grandes geômetras franceses que vêm de Descartes, passam por d'Alembert e Condorcet, chegam até nossos dias em Bertrand e Poincaré. Podia tocar em tudo e tudo receberia a marca indelével do seu gênio. Entre nós, há muitos que sabem; mas não são sábios. Oto, sem eiva de pedantismo ou de insuficiência presumida, era um gênio universal, em cuja inteligência a total representação científica do mundo tinha lhe dado, não só a acelerada ânsia de mais, saber, mas também a certeza de que nunca conseguiremos sobrepor ao universo as leis que supomos eternas e infalíveis. A nossa ciência não é nem mesmo uma aproximação; é uma representação do Universo peculiar a nós e que, talvez, não sirva para as formigas ou gafanhotos. Ela não é uma deusa que possa gerar inquisidores de escalpelo e microscópio, pois devemos sempre julgá-la com a cartesiana dúvida permanente. Não podemos oprimir em seu nome.
Foi o homem mais inteligente que conheci e o mais honesto de inteligência.
Mas, de todos, de quem mais me lembro, é de minha professora primária, não direi do "a-b-c", porque o aprendi em casa, com minha mãe, que me morreu aos sete anos.
É com essas recordações em torno das quais esvoaçam tantos sonhos mortos e tantas esperanças por realizar, que vejo crepitar esse matutino movimento escolar; e penso nas mil e tantas meninas que todos os anos acodem ao concurso de admissão à Escola Normal.
Tudo têm os sábios da Prefeitura imaginado no intuito de dificultar a entrada. Creio mesmo que já se exigiu Geometria Analítica e Cálculo Diferencial, para crianças de doze a quinze anos; mas nenhum deles se lembrou da medida mais simples. Se as moças residentes no Município do Rio de Janeiro mostram de tal forma vontade de aprender, de completar o seu curso primário com um secundário e profissional o governo só deve e tem a fazer uma coisa: aumentar o número das escolas de quantas houver necessidade.
Dizem, porém, que a municipalidade não tem necessidade de tantas professoras, para admitir cerca de mil candidatas a tais cargos, a despesa, etc. Não há razão para tal objeção, pois o dever de todo governo é facilitar a instrução dos seus súditos.
Todas as mil que se matriculassem, o prefeito não ficava na obrigação de fazê-las professoras ou adjuntas. Educá-las-ia só se estabelecesse um processo de escolha para sua nomeação, depois que completassem o curso.
As que não fossem escolhidas, poderiam procurar o professorado particular e, mesmo como mães, a sua instrução seria utilíssima.
Verdadeiramente, não há estabelecimentos públicos destinados ao ensino secundário às moças. O governo federal não tem nenhum, apesar da Constituição impor-lhe o dever de prover essa espécie de ensino no Distrito. Ele julga, porém, que só são os homens que necessitam dele; e mesmo os rapazes, ele o faz com estabelecimentos fechados, para onde se entra à custa de muitos empenhos.
A despesa que ele tem, com os Ginásios e o Colégio Militar bem empregada daria para maior número de externatos, de liceus. Além de um internato no Colégio Militar do Rio, tem outro em Barbacena, outro em Porto Alegre, e não sei se projetam mais alguns por aí.
Onde ele não tem obrigação de ministrar o ensino secundário, ministra; mas aqui, onde ele é obrigado, constitucionalmente, deixa milhares de moças a impetrar a benevolência do governo municipal.
A municipalidade do Rio de Janeiro que rende cerca de quarenta mil contos ou mais, podia ter há muito tempo resolvido esse caso; mas a política que domina a nossa edilidade não é aquela que Bossuet definiu. A nossa tem por fim fazer a vida incômoda e os povos infelizes; e os seus partidos têm por programa um único: não fazer nada de útil.
Diante desse espetáculo de mil e tantas meninas que querem aprender alguma coisa, batem à porta da Municipalidade e ela as repele em massa, admiro que os senhores que entendem de instrução pública, não digam alguma coisa a respeito.
E creio que não é fato insignificante; e, por mais que fosse e capaz de causar prazer ou dor à mais humilde criatura, não seria demasiado insignificante para não merecer a atenção do filósofo. Creio ser de Bacon essa observação.
O remédio que julgo tão simples, pode não sê-lo; mas, espero despertar a atenção dos entendidos e serão eles capazes de achar um bem melhor. Ficarei muito contente e tenho esperança que tal se dê.
Bagatelas, 3-5-1918
Fonte: www.biblio.com.br

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