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segunda-feira, abril 30, 2007

AINDA SOBRE A FUNÇÃO (OU A CULPA) DO PROFESSOR

Extraí esse texto do site http://www.reescrevendoaeducacao.com.br/, escrito pela Profa. Rejane (?) - Fórum de discussão sobre o artigo de Gustavo Iochpe (Economista da Educação), cujo tema é o Analfabetismo Funcional.
Logo após o texto da Profa. Rejane, inseri as minhas considerações a respeito.
Enviada por Rejane: Seg Abr 10, 2006 7:05 pm Assunto: É fácil falar...
"Aposto que o autor nunca deu aula em escola pública. Primeiro gostaria de dizer que sou professora há 20 anos, tenho pós-graduação e no momento sou mestranda. Continuo dando aulas, porque gosto e este ano fiz questão de lecionar para a 5ª série. Me sinto na obrigação de concordar com o autor quando diz que o fracasso escolar não é culpa da família, nem do aluno. Concordo também que falta preparo para muitos professores, mas daí afirmar que a culpa é do próprio coitado que, a meu ver, é mais uma vítima da má formação de épocas passadas (aquela que dizem que a escola tinha melhor qualidade). Não! Não posso admitir isso e começo a fazer algumas perguntas ao autor:
- Por que será que tenho uma média de 45 alunos em cada classe?
- Como fazer para avaliá-los com qualidade, se não consigo nem olhar no rosto de cada um em 45 minutos (só para fazer chamada são 5 min.)
- Por que será que uma vez por mês deixo de dar uma aula e meus colegas também, para que os alunos possam pegar o seu leite?
- Por que será que leite, uniforme, calçado, têm que ser entregues na escola? Será que isso não é da competência do setor de bem estar social?
- Por que será que os alunos, na mesma hora que recebem o material, já rasgam todos os cadernos ou levam embora e nunca mais trazem de volta?
- Por que será que quando encaminhamos um aluno para acompanhamento de um especialista da área da saúde, isso não acontece?
- Por que será que passei meu sábado inteiro (das 9:00 às 20:00 h) corrigindo atividades, respondendo perguntas, anotando quem eram os alunos com maior dificuldade para eu tentar algo diferente 2ª feira, se eu sou professora e culpada?
- Por que será que tem aluno que temos até receio de chamar os responsáveis para comunicar a agressividade, pois sabemos que o filho será espancado na frente de quem estiver perto, como acontecido outras vezes?
- Por que será que eu ganho tão bem "R$ 1.469,00" e não consigo pagar minhas contas e me sustentar sem a ajuda de meu marido? Também não consigo comprar muitos livros... Realmente o professor que não é casado é culpado mesmo, onde já se viu ter que pegar outras aulas para poder viver... Que coisa feia, devia passar necessidade, mas com certeza teria tempo de preparar boas aulas!!!!
- E por que será... e também... Ah! Falar é fácil! Não sou cega, nem surda, nem deficiente mental, para perceber que tem gente que se aproveita sim do discurso anti-neoliberal. Mas daí culpabilizar somente o professor, isso é demais. Quantas pessoas estão envolvidas na educação de uma criança? E de um adulto (lembrei de mais uma coisa: em uma das salas que dou aula à noite, para adultos, não tem todas as luminárias (total de 6) só tem duas, mas eu nunca deixei de dar aula por causa disso, praticamente no escuro. E o autor ainda acha que não temos de falar de conscientização. Olha tem tanta coisa para falar que eu gostaria mesmo é de encontrar pessoalmente este "rapaz" para fazermos, quem sabe, um laboratório com ele!!!! Espero que não tenha digitado nada errado, caso contrário ele dirá, "tá vendo, nem sabe escrever"! Rejane


Enviada por Silvana M. Moreli: Sáb Mai 20, 2006 6:32 pm Assunto: Analfabetismo funcional

"Lendo o "desabafo" da Profa. Rejane, postado em 10 de abril de 2006, fiquei impressionada com o grau de identificação que tive com a referida mensagem. É impressionante como compartilhamos da mesma problemática. Apesar de estar há pouco tempo na escola pública, vejo que os problemas são inerentes a todas, em maior ou menor grau, mas estão lá. Ao analisarmos o tema "Educação", devemos tomar muito cuidado devido a amplitude do mesmo. O tema, por si só, evoca várias inferências, assim, podemos abrangê-lo de forma generalista, enfocando o todo da questão ou, de forma mais específica, optando por alguns aspectos a serem avaliados. No entanto, torna-se mister colocar de forma clara e precisa que tudo o que se fala/faz sobre Educação ainda é insuficiente e ineficaz. Muito se debate, muito se fala a respeito, muitos estudos são realizados com bases em estatísticas ou em projetos desenvolvidos em outros países e muito pouco ou nada se aproveita ou muito pouco ou nada é feito de concreto. Quando lemos artigos de alguns "estudiosos" da Educação ou assistimos a programas de televisão que abordam o tema em forma de notícias, debates, conferências, temos a sensação de que, de forma muito bem articulada esses "arquitetos da palavra" criam fórmulas e soluções mirabolantes para um problema tão complexo que chegamos a duvidar de que se trata do Brasil. O modelo a que se referem não condiz com a nossa realidade, são simplistas demais a ponto de relegarem o problema a uma segunda instância, tentando de forma velada, impor a culpa do caos da Educação aos seus "legítimos" culpados (os professores), como se isso fosse possível. Não estou eximindo a totalidade da culpa dos ombros dos professores, é óbvio que, como em qualquer outra profissão, temos bons e maus profissionais. Em termos de Educação, não basta apenas conhecer a "teoria", é necessário que se busque na prática, subsídios para endossar as tais teorias, caso contrário, surgirão vários estudos, vários artigos trazendo uma vasta bibliografia, porém, totalmente vagos e imprecisos. Muito se tem falado em transformar a escola pública em uma instituição de sucesso. Algumas medidas até já foram adotadas, a mais recente, a escola de tempo integral. Resultados? Aquém do esperado. Daí enfatizar a idéia de que a aplicação da teoria sem planejamento, é insuficiente e nascerá fadada ao fracasso. Não basta criar soluções no âmbito da teoria, há que se conhecer as possibilidades de viabilizá-las na prática. O contexto é heterogêneo, portanto, as realidades diferem de escola para escola, de região para região, de Estado para Estado. Apesar de alguns problemas serem constantes em qualquer lugar, o que difere são os níveis, os índices de ocorrências. A violência, as drogas, o déficit de aprendizagem, a baixa auto-estima, a ética, a cidadania etc., tudo pode ser avaliado, estudado e servir de mote para a criação de soluções viáveis. O que torna-se inadmissível é saber que tais soluções partem de pessoas que apenas se debruçaram sobre uma bibliografia, extraíram as idéias principais e elaboraram o "plano salvador da pátria" sem que ao menos tenham pisado recentemente em uma sala de aula, sem que sequer conheçam in loco as agruras pelas quais passam os professores, os diretores e funcionários das escolas públicas, principalmente as mais carentes, as de periferia. Vislumbrar soluções para problemas que estão a léguas de distância de nós é simples, é fácil. Difícil é sentir de perto o toque, o cheiro da realidade. Bibliografias e dados estáticos podem mostrar isso teoricamente, mas não substituem a prática. Nosso sistema educacional precisa de mudanças urgentes. Não basta apenas falar, a hora é de ação. Quero crer que ainda teremos uma escola eficiente, com alunos motivados e professores bem remunerados. Quero crer ainda que os políticos do nosso país tratarão desse tema com mais carinho e dedicação, não apenas porque este lhes proporcionam vantagens nas urnas, mas porque uma nação só será realmente uma nação progressista se houver um investimento maciço nesta área.

2 comentários:

J. Pedro Juve de coração! disse...

Fico alegre em saber que existe ainda nesse mundo pessoas que pensam que nem a senhora, tenho apenas 17 e fico alegre em saber que minahs concepções não são esdruxulas, caso queira pegar meu email para poder dividir os conhecimentos da senhora serei muito gratooo, continue com esse trabalho maravilhoso. joao.almeida1991@bol.com.br

Silvana M. Moreli disse...

Olá João Pedro!!!

Obrigado por fazer parte desse espaço que é "nosso"!
Agradeço também pelos elogios. Será um prazer podermos trocar ideias, conhecimentos, opiniões...

Um grande abraço!

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