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segunda-feira, julho 15, 2013

OS CEGOS E O ELEFANTE, DE MALBA TAHAN


     Achavam-se seis cegos sentados à beira da estrada, nas proximidades de Jericó, pedindo esmolas. Ouviram aludir ao elefante, mas não faziam a menor ideia desse animal.
     Um belo dia, aconteceu cruzar a estrada em que se achavam os seis cegos, um homem conduzindo um elefante domesticado. Informados do sucesso, rogaram ao guia que parasse e lhes permitisse examinar o animal. Impossibilitados de ver com os olhos, iriam conhecer pelo tato - como fazem os cegos - o bicho que lhes interessava.
     O primeiro cego apalpou o elefante nas ilhargas e disse: - Já sei! o elefante é tal qual um muro, forte e áspero.
     O segundo passou as mãos pelas presas e afirmou:
     - Enganou-se, meu amigo. O elefante é mais parecido com lanças do que com muros; é redondo, liso e agudo nas extremidades. Eu é que sei como é um elefante.
     O terceiro correu os dedos pela tromba do paquiderme e declarou com segurança: 
     - Ambos estão enganados.Quem tiver a menor parcela de senso percebe que o elefante é parecido com uma grande cobra.
     O quarto cego, porém, estendeu os braços, abraçou uma das pernas do animal e disse:
      - O pior cego é o que não quer ver. O elefante, não há dúvida, é assim a modo de uma palmeira. Asseguro que ele é roliço e alto que nem um coqueiro.
     O quinto cego, homem de elevada estatura, alçando a mão, apanhou a orelha do elefante: apalpou-a e afirmou categoricamente:
     - Parecem  tontos! O elefante é uma grande ventarola!
     Adiantou-se, finalmente, o sexto cego, e, segurando o elefante pela cauda exclamou:
     - Quanta cegueira. Não percebem vocês patavina. O elefante nada tem de parecido com muro,lança,cobra,palmeira ou ventarola! Tudo isso é ridículo! O elefante é apenas um pedaço de corda.
     O guia, então, tocou o elefante; o enorme animal continuou a viagem e os seis cegos ficaram à beira da estrada a discutir, exaltados, insultando-se uns aos outros com pesadas palavras, porque não chegavam a um acordo sobre a forma exata de um 
elefante.
     Muita gente encontramos que, à semelhança dos cegos de Jericó, adianta informações erradas e falsas sobre coisas que não conhece, na convicção de que está com a verdade.
     Na vida,precisamos ouvir sempre os sábios conselhos dos mais velhos:pois, muitas vezes, somos, sem que possamos perceber, iludidos pela aparência enganosa das coisas.

(Em: Lendas do céu e da terra)

Vamos aprender mais:
 

Ilharga -Cada uma das partes laterais e inferiores do baixo-ventre.
Parte lateral de qualquer corpo:
Paquiderme - animal que tem pele espessa. Elefante,Rinoceronte, hipopótamo.

Alçando - levantando. Do verbo alçar: levantar.
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Fonte: DIGnow

segunda-feira, julho 08, 2013

TIC: A AUTONOMIA DO PROFESSOR É FUNDAMENTAL PARA A INOVAÇÃO EDUCACIONAL

Por Luciano Sathler
05.07.2013 18h11 - atualizado em 05.07.2013 18h26

Sala de aula

A percepção dos professores sobre os impactos que as Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC têm no seu trabalho aponta a necessidade de serem repensadas as políticas públicas quanto à formação e a autonomia dos profissionais do ensino.
Desde 2011, o Centro de Estudos Sobre as TIC realiza anualmente a pesquisa TIC Educação. Em 2012, foram entrevistados 1.592 professores de português e matemática, numa amostra de 856 escolas públicas situadas em áreas urbanas por todo o Brasil. Alunos, diretores e coordenadores pedagógicos também participaram. 
Luciano Sathler
Dois dados saltam imediatamente aos olhos dentre os resultados anunciados. Primeiramente, o fato de que 99% dos professores havia feito uso da internet nos 3 últimos meses antes da pesquisa. E que apenas 46% dos educadores graduados cursaram uma disciplina específica sobre computadores e internet durante sua formação no Ensino Superior.
A maioria dos professores concorda que:

1, As TIC ampliam o acesso a recursos mais diversificados e de melhor qualidade;
2. As TIC colaboram para que os educadores passem a adotar novos métodos de ensino;
3. As TIC são instrumentos que facilitam o cumprimento das tarefas administrativas;
4. As TIC são usadas para ampliar o trabalho colaborativo com outros colegas da mesma escola;
5. As TIC servem para articular contatos com professores de outras escolas e com especialistas de fora da escola;
6. As TIC servem para a realização de avaliações mais individualizadas dos estudantes.
O infográfico abaixo agrega ainda mais informações:



Uma das conclusões que se depreendem desses resultados é que as TIC podem ser potencializadas para a inovação das metodologias de ensino, com ênfase na personalização das relações de ensino-aprendizagem e no trabalho colaborativo.
Porém, a personalização das relações de ensino-aprendizagem e o trabalho colaborativo dependem de horizontalizar mais as hierarquias e descentralizar a tomada de decisão, para privilegiar a autonomia do trabalho dos professores.
Autonomia no trabalho significa liberdade pessoal para desempenhar funções e papéis de formas personalizadas, únicas e diferenciadas. Os profissionais esperam ter maior liberdade e controle sobre suas ações, inclusive para determinarem individualmente como, onde e, algumas vezes, quando o trabalho acontecerá.
Dentre outros aspectos, autonomia é dar condições para que professores possam priorizar e determinar o ritmo de suas atividades, alocar recursos, planejar e agendar tarefas, além de determinar seus próprios métodos de trabalho. 
Os educadores poderiam formar equipes autônomas ao redor de tarefas ou temas interdisciplinares, escolherem caminhos próprios e independentes de aprendizagem para sua contínua formação, além de compartilharem suas responsabilidades com outros professores, dentro e fora da escola. Essas condições para a autonomia aumentam o comprometimento, o senso de responsabilidade individual e a satisfação com o trabalho. 
As TIC permitem que a sala de aula seja estendida e possibilitam o desenvolvimento de sistemas não lineares de ensino, seja por meio do hipertexto e da hipermídia, o que privilegia a aprendizagem por exploração e descoberta. O estudante precisa desenvolver novas habilidades para aprender em contextos informatizados, tais como a capacidade de selecionar as melhores formas de organizar e avaliar as informações. 
O desenvolvimento do pensamento crítico pelos estudantes pede professores com maior autonomia, que não se sintam tolhidos por políticas distanciadas da realidade e exigências autoritárias que primam pelo excesso de normas, burocracia e dirigismo. A gestão educacional para a inovação tem a liberdade, a criatividade e a participação como seus fundamentos. 

*Luciano Sathler é colunista do Canaltech e Doutor em Administração pela FEA / USP (2008), Mestre em Administração pela Universidade Metodista de São Paulo (2002), onde atua como professor, Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância ABED e Coordenador Geral de Educação a Distância na Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

CONSULTORIA DESENHA ESCOLAS PARA ESTIMULAR CÉREBRO

Qual a diferença entre um corredor reto e comprido e um cheio de curvas e desvios? Além da estética, se for em uma escola, o caminho sinuoso vai proporcionar que os alunos aprendam mesmo quando estão se deslocando de uma aula para a outra e, por isso, é o preferido da professora e arquiteta Amy Yurko, fundadora da BrainSpaces, consultoria norte-americana especializada em projetos para escolas que estimulam a criatividade e o aprendizado de seus estudantes.
A empresa com sede em Chicago já desenvolveu centenas de projetos inovadores desde 2004 para instituições e redes de ensino nos Estados Unidos. Esses ambientes educacionais para o ensino fundamental, médio e superior não são apenas modernos na aparência, mas se baseiam em pesquisas sobre como o cérebro funciona e como as pessoas aprendem.
crédito venimo / Fotolia.com
“Pesquisadores sabem que aprendemos melhor quando as sinapses neurais são estimuladas e esses cientistas estão constantemente descobrindo quais atividades estimulam a atividade cerebral mais efetivamente. Nós traduzimos isso para a arquitetura das escolas. No caso do corredor, por exemplo, sabe-se que as atividades cerebrais são aceleradas quando as pessoas andam em ziguezague, muito mais do que quando andam em linha reta”, sintetiza Amy, que trabalha há 20 anos criando espaços educacionais.
O trabalho de Amy e sua equipe trouxe resultados a uma rede inteira de escolas. Nela, diz a consultora, apenas 50% dos alunos terminavam o ensino médio e, naquele ano, professores realizaram a maior greve da história do estado. Amy colaborou com todo o planejamento da transformação da rede escolar, que passou por mudanças no currículo, nas práticas de ensino e nos contratos de professores até as novas facilidades dos colégios.
Levando em conta pesquisas baseadas no funcionamento do cérebro, a principal pergunta feita pelo time da BrainSpaces aos gestores na época era: “Como seria se a escola realmente importasse?” O novo design que surgiu desse trabalho incluía ambientes sem paredes e espaços colaborativos, onde os professores puderam incentivar habilidades como autonomia e iniciativa, por exemplo. A nova estratégia aumentou a taxa de alunos formados para 87%.
Veja o vídeo, em inglês, de um dos projetos
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lvIuMLhIFc0#t=148s
Atuação
Os projetos da BrainSpaces nunca são iguais, tanto nas soluções como no processo. Embora o ponto de partida seja o conhecimento acumulado pela equipe sobre atividades cerebrais, o trabalho é desenvolvido de acordo com as necessidades, expectativas e orçamento de cada rede de ensino ou escola atendida pela consultoria. Antes do desenho e execução das obras, a equipe, que normalmente tem de dois a três profissionais, conversa com professores, alunos, gestores, pais e membros da comunidade. Essa primeira fase é chamada de iniciação, que é seguida pela descoberta, quando também são levantados dados sobre matrículas, taxas de evasão e graduação, grau de satisfação dos pais, engajamento dos alunos, currículo e atividades extraclasse. Só depois da análise dessas informações é que a fase do design em si começa.
Na maioria dos casos, a BrainSpaces não é responsável pela execução da reforma ou da construção da escola, mas presta subsídios e consultoria a arquitetos para que eles agreguem elementos inovadores em seus projetos. Mesmo nesses casos, a empresa faz questão de acompanhar as próximas duas etapas que completam o ciclo, de implantação e avaliação.
“Para cada projeto, essas etapas podem ter ênfase e duração diferentes. O modelo de trabalho permanece o mesmo, mas há uma flexibilidade no processo para acomodar condições e características específicas de cada cliente. Além disso, sempre aplicamos lições aprendidas no passado em cada novo trabalho”, diz Amy.
Quando o prédio está pronto, a BrainSpaces ajuda as pessoas que vão ocupá-lo a usarem da melhor maneira possível. Algumas vezes, os professores recebem um treinamento. No período de avaliação, todos os dados que influenciaram o projeto – como a taxa de abandono escolar, por exemplo – são revisitados, para verificar se as mudanças esperadas ocorreram. Isso pode durar alguns anos, até que se tenha certeza sobre quais estratégias trouxeram melhores resultados e se consiga identificar o impacto do design no processo.
“O ensino é um empreendimento multifacetado, influenciado por vários componentes, que às vezes são conflitantes. Nós acreditamos que a arquitetura de ambientes educacionais pode proporcionar aos professores um ambiente propício para eles se conectarem de verdade às crianças, mas o espaço não faz isso sozinho”, diz Amy, que usa como exemplo de sucesso da integração de várias práticas em prol de um melhor aprendizado um projeto realizado em Seattle.
Pequenas mudanças
Apesar da complexibilidade do processo de desenvolvimento de projetos da BrainSpaces, alguns ensinamentos básicos sobre o impacto da arquitetura em como as pessoas aprendem podem ser replicados facilmente. Por exemplo, ambientes coloridos são mais estimulantes do que os de cores neutras, segundo Amy. A iluminação natural é outra recomendação para facilitar o aprendizado, mas mesmo quando não existem janelas, uma luz indireta, em vez de fluorescente, também deixa o ambiente mais agradável para estudar. A arquiteta e professora diz que já viu várias dessas pequenas mudanças serem implantadas pelos próprios professores, que reinventam o ambiente escolar com o que tinham, seja reformando móveis e mudando a sua disposição seja decorando paredes.
“Para a sorte de muitas escolas, alguns professores são bastante criativos em achar maneiras de usar espaços inadequados e mesmo assim criar boas oportunidades educacionais para seus estudantes. Mas imagina se eles não precisassem usar suas energias para compensar más condições de trabalho? Nós acreditamos que os professores devem receber suporte para fazer o que fazem melhor: ensinar”, defende Amy.
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EDUCAÇÃO ANUNCIA MAIOR CONCURSO DA HISTÓRIA PARA PROFESSORES: 59 MIL NOVAS VAGAS

Na ocasião, também foram anunciadas outras medidas que fortalecem a educação paulista
O governador Geraldo Alckmin e o secretário da Educação Herman Voorwald anunciaram, hoje (5), um pacote de medidas que beneficiará a Educação do Estado de São Paulo. Entre os anúncios, está a abertura de concursos para mais de 59 mil professores, maior contratação da história da Secretaria de Educação.
O edital do concurso, para os professores interessados em atuar nas escolas a partir de 2014, deve ser publicado ainda neste semestre. O último concurso, realizado em março de 2010, teve 260 mil inscritos.
A contratação reforça a política da Educação pela ampliação do quadro de docentes efetivos e pela redução de temporários. Desde janeiro de 2011, já foram nomeados mais de 34 mil docentes, totalizando 93 mil novos professores durante a atual gestão. Nos últimos dez anos foram nomeados 157 mil educadores. Atualmente, a rede estadual possui 231 mil professores entre efetivos e temporários.  
Os candidatos aprovados passarão por formação específica na Escola de Formação e Aperfeiçoamento do Estado de São Paulo “Paulo Renato Costa Souza” (EFAP). O curso tem 360 horas, divididas em 18 módulos semanais de 20 horas. Nas aulas, os docentes conhecerão o currículo adotado pelo estado, metodologias de trabalho e aspectos da realidade das escolas estaduais.
A formação, que antes acontecia em um período diferente das aulas, passará a ocorrer simultaneamente , como parte integrante do estágio probatório. A alteração ocorreu para que o ingresso dos professores na sala de aula aconteça de forma mais ágil.
Outros anúncios
O governador também anunciou uma medida inédita para os 181,5 mil professores efetivos e estáveis da rede estadual. A partir de agora, eles poderão acumular o cargo de efetivo com a contratação temporária. O que permitirá, por exemplo, que ele substitua um outro professor em horário distinto de sua jornada, além de aumentar a carga horária de acumulação para 65 horas semanais. As medidas reforçam a política da Secretaria pela ampliação do quadro de docentes efetivos na rede estadual.
aumento salarial de 8,1 %, já a partir do dia 1º de agosto, para mais de 415 mil funcionários do magistério, apoio escolar e aposentados também foi anunciado no evento.
"Atrelado ao reforço da política salarial –com o aumento de 8,1% para todos os servidores–, nossos professores poderão agora atribuir mais aulas, o que também possibilitará ganho salarial. Oportunidade inédita para eles e uma novidade importante para os estudantes, que poderão contar com um docente substituto da mesma escola", afirma o secretário da Educação Herman Voorwald.
No pacote de valorização da rede, também foram contemplados outros servidores que compõem o quadro da Educação. A Secretaria anunciou a nomeação de 973 agentes de organização escolar, a criação de mais de 800 cargos de analista de tecnologia e administrativo e a autorização de 127 cargos de oficial administrativo e 87 de executivo público.
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sábado, junho 22, 2013

"MEU PRIMEIRO BEIJO", ANTONIO BARRETO: SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM

MELHOR GESTÃO, MELHOR ENSINO
FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA
1ª EDIÇÃO – 2013
TURMA 231

 Situação de Aprendizagem desenvolvida para o 9º ano do
Ensino Fundamental – Ciclo II”

Silvana Maria Moreli

Encontros Presenciais: 22, 23 e 24 de maio de 2013.

Grupo: Gislaine Carneiro Guerreiro
               Gracia
               Iara Bento
               Juliana Hernandes
               Silvana Maria Moreli

Antes da  Leitura:
      * Antecipação do Conteúdo do Texto:


1º PASSO:

a)    Espalhar pela sala de aula, imagens de beijos (preferencialmente, obras de arte) para aguçar a curiosidade dos alunos (Obs.: Essas imagens (sugestões) podem ser utilizadas, na sequência, em um trabalho paralelo com a disciplina de Arte – projeto interdisciplinar)
Imagem 1 - "Passione", Vik Muniz
Imagem 2: "O Beijo", Francesco Hayez
Imagem 3 - "O Beijo", Auguste Rodin 
Imagem 4: "O Beijo", Gustav Klimt
Imagem 5 - "O Beijo", Rubens Gerchman
Imagem 6 - "O Beijo", Toulouse Lautrec
Imagem 7 - Eros e Psiquê, Antonio Canova
Imagem 8 - "O Beijo", Edvard Munch
b)    Levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos – antecipação do tema com base no título “Meu primeiro beijo”;
c)  Algumas questões para direcionar a discussão oral: “Você já viu “beijos de novela”? Sabem por que têm esse nome? O que representa “um beijo” em sua opinião? Quais os significados dos vários tipos de beijos (beijo na mão, na testa, no rosto)? Vocês conhecem a cultura de outros países em que os homens se beijam? O que vocês esperam encontrar em um texto com esse título - “Meu primeiro beijo”? Quais as expectativas de vocês com relação à leitura desse texto?”

2º PASSO:

a)    Sobre o autor – questionar: “Alguém o conhece? Já leu alguma obra ou algum texto desse autor?”
b)    Apresentar uma breve biografia: (Disponível em: http://www.palavrarte.com/equipe/equipe_antbarreto.htm)

Antonio Barreto (Antonio de Pádua Barreto Carvalho) nasceu em Passos (MG) em 13 de junho de 1954. Reside em Belo Horizonte desde 1973. Morou também em algumas cidades do Oriente Médio, onde trabalhou como projetista de Engenharia Civil, na construção de estradas, pontes e ferrovias. Tem vários prêmios nacionais e internacionais de literatura, para obras inéditas e publicadas, nos gêneros: poesia, conto, romance e literatura infanto-juvenil. Entre eles: Prêmio Jabuti (Câmara Brasileira do Livro - três vezes, oito vezes indicado), Bolsa Vitae de Literatura, Prêmio Remington, Bienal Nestlé de Literatura, Prêmio Minas de Cultura, Prêmio Nacional de Contos do Paraná, Prêmio “Guimarães Rosa” de romance, Prêmio “Emílio Moura” de poesia, Prêmio “Cidade de Belo Horizonte” - poesia e contos, Prêmio “João-de-Barro” de literatura infantil e juvenil , Prêmio “Carlos Drummond de Andrade” e “Manuel Bandeira” de poesia, UBE (SP), UBE (PE), UBE(RJ); Prêmio “Henriqueta Lisboa”, Prêmio “Petrobrás” de Literatura, Prêmio Nacional de Literatura/UFMG, Prêmio Bienal do Livro de BH, Prêmio Bienal Internacional do Livro de SP, Prêmios de “Leitura Altamente Recomendável” para crianças e jovens/FNLIJ-RJ, Prêmio “Tereza Martin” de Literatura, Prêmio Internacional da Paz/Poesia (ONU), Prêmio “Ezra Jack Keats” da Unesco/Unicef (EUA), Prêmios/ Obras/Catálogo do IBBY (Unesco) e Prêmios/Obras/Catálogos Bienais Internacionais do Livro de Bratislava, Barcelona, Bolonha, Frankfurt e Cidade do México. Participa também de várias antologias nacionais e estrangeiras de poesia e contos. Foi redator do Suplemento Literário do Minas Gerais, articulista e cronista do jornal Estado de Minas e da revista “Morada” (BH). Colabora com textos críticos, poemas e artigos de opinião para “El Clarín” (Buenos Aires), “Ror” (Barcelona); “Zidcht” (Frankfurt), “Somam” (Bruxelas); ” : e outros periódicos. Atualmente coordena a Coleção “Para Ler o Mundo”, da Formato Editori.

Principais obras publicadas:
1.) Poesia: O sono provisório (Francisco Alves, 8); Vastafala (Scipione, 88).
2.) Contos: Os ambulacros das holotúrias / Reflexões de um caramujo (UFMG, 90/93).
3.) Romance: A barca dos amantes (Lê, 90); A guerra dos parafusos (José Olympio, 93).
4.) Infantis e Juvenis: Lua no varal e Isca de pássaro é peixe na gaiola (Miguilim, 87, 89); A noite é um circo sem lona (Record, 87); Livro das simpatias (RHJ, 90); Bombeiros do sol, com Graça Sette (José Olympio, 97); Brincadeiras de anjo, Tem um avião lá fora, O velho pássaro da lua e Balada do primeiro amor (FTD, 87, 87, 96, 97).
5.) Crônicas: Transversais do Mundo (Lê, 99)
6.) A sair: Zoonário (Mercuryo, 01), O menino que não sonhava só (Mercuryo, 01).

Durante a Leitura:

1º PASSO:

a)   Leitura em voz alta pelo professor – com ênfase na entonação e com paradas estratégicas para questionar os alunos sobre o que eles acham que vai acontecer na sequência (levantamento de hipóteses).

Texto
Meu Primeiro Beijo
Antonio Barreto
É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram... e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.

2º PASSO: Entregar uma cópia do texto para cada aluno e solicitar que, em duplas, façam uma leitura dramatizada do texto.

Depois da Leitura:

1º PASSO: Levantamento/esclarecimento de palavras desconhecidas – em um primeiro momento, por meio de inferências e, na sequência, comprovando por meio  do estudo do vocabulário nos  dicionários.

2º PASSO: Busca de informação complementares (gasto de calorias, ação dos músculos, batimento cardíaco,  composição da saliva, substâncias orgânicas entre outros). Obs.: propor ao professor de Ciências para que dê uma aula sobre a afirmação: “Você é a glicose do meu metabolismo”.

3º PASSO: Troca de impressões sobre o texto:  o texto atingiu as expectativas, as hipóteses levantadas se confirmaram; os alunos compreenderam  de forma global o texto?

4º PASSO: Avaliação: os alunos compreendem o conteúdo não explícito - inferência e integração do segmento do texto.
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RELATO PESSOAL - EXPERIÊNCIA DE LEITURA / ESCRITA


I
Silvana M. Moreli
Desde muito cedo, por volta dos meus cinco anos de idade, me apaixonei pelas “letras”. Queria desvendar o mistério daqueles símbolos que, um a um, se juntavam, “davam-se as mãos” e formavam o que, segundo a minha mãe, eram as “palavras”: apaixonei-me (também) por elas!
Imagem: ilha-da-lindalva.blogspot.com
Minha mãe, costureira de profissão, desenhava as letras em seu "caderno de medidas": para cada cliente, um nome diferente (Tereza, Cida, Geni, Lurdinha, "Lola", "Bimba", Olga, Raruco...), uma medida diferente... Eu viajava em cada movimento da sua mão segurando o lápis ou a caneta. Com linhas ou sem linhas no papel, as palavras flutuavam, dançavam, seguiam uma coreografia leve e suave... às vezes um pouco mais rápida, mas, artisticamente, nobre.  A letra da minha mãe era, aos meus olhos de criança, arte, na mais sublime expressão da palavra.
Por falta de oportunidade, minha mãe estudara pouco, apenas até a quarta série do antigo curso primário, porém, fora diplomada, com louvor, pela escola da vida e, com essa distinção, me guiou com maestria ao caminho das letras.
Aos cinco anos, fiz o pré-primário e, tamanha era a minha avidez por aprender, que já sabia juntar as sílabas, formar palavras e... ler! Uma cartilha “Caminho Suave” chegou até as minhas mãos: devorei-a! É certo, no entanto, que a minha leitura apresentava alguns tropeços, mas estes não foram empecilhos para que eu desanimasse ou desistisse de aprender, ao contrário, me impulsionaram a seguir aprendendo. Afinal, queria ler como a minha mãe, sem tropeçar, sem gaguejar... como se as palavras fossem borboletas saindo da boca em um voo suave e colorido.
Adorava ouvir as histórias que minha mãe lia para mim. Às vezes, ela as repetia, mas eu não me importava com isso: a cada dia sua voz me remetia a uma nova história, a uma nova viagem... Além disso, não havia muitos livros em casa (o pouco que havia era fruto de doações) e não havia dinheiro suficiente para adquirir novos exemplares: eu percebia isso! Contudo, aprendi, também com a minha mãe, a amar os livros e a respeitá-los: “os livros têm sentimentos, têm alma, têm vida própria e sofrem como nós. Cuide muito bem deles, não os machuque, não os maltrate!”
Lia muito, lia de tudo, qualquer coisa. O percurso feito de ônibus da vila onde morava (Vila Hortolândia) até o centro da cidade (Jundiaí-SP.), por exemplo, repleto de outdoors, placas, pichações, grafites... era, para mim, o paraíso das letras, o grande mistério a ser desvendado – e eu tinha a chave! Lia tudo, avidamente, e queria mais!
Fui contagiada pelo fascínio das letras e, desde então, não consegui parar. Sim, fui contaminada pelo vírus da paixão pela leitura e pela escrita. Cura? Melhor não pensar nessa hipótese...

II
Morávamos em Jundiaí-SP, eu, meu pai e minha mãe, na Vila Hortolândia, em uma época em que as pessoas pareciam não ter tanta pressa: havia tempo suficiente para, pelo menos, cumprimentar umas às outras com um sorriso nos lábios, um aceno, um “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”.
Imagem: http://historiasvalecai.blogspot.com
Um casal de vizinhos – “seu” Augusto e “dona” Noemia –, foram  grandes incentivadores para o aprimoramento da minha competência leitora. O que eles faziam? Todos os dias, sentávamos na varanda dos fundos da casa deles e o “seu” Augusto, muito terno, entregava-me um jornal. Naquela época, aquele jornal, parecia maior do que eu; pesava em minhas mãos e as letras eram tão miúdas! De repente, todos esses devaneios eram interrompidos  pela voz do “seu” Augusto dizendo: “Leia para nós, por favor!”. Às vezes ele escolhia a notícia, o artigo que seria lido, em outras, porém, ele pedia para que eu mesma escolhesse. 
Ah! Eu me sentia tão importante com aquele jornal nas mãos! Eu lia! Eu sabia ler! Ficava radiante quando o “seu” Augusto e a “dona” Noemia olhavam para mim admirados e diziam que eu lia melhor a cada dia. No alto dos meus seis, sete anos de idade, eu não tinha a real dimensão da importância do gesto desse casal. Graças a ele procurava aprimorar a leitura e, graças a ele, até hoje, não consigo passar indiferente perto de um jornal: o “seu” Augusto e a “dona” Noemia me mostraram, mesmo que de forma bem simples, o quão importante é ler, buscar a informação, nos inteirarmos do que acontece à nossa volta, na nossa cidade, no nosso país, no mundo, afinal, fazemos parte desse contexto. Este casal era o centro de uma família bastante humilde, sem qualquer ostentação. Viviam de maneira muito simples, sim, mas, fizesse chuva ou sol, o “seu” Augusto voltaria para casa com o jornal do dia. 
III
Tia Maria não era, de fato, minha tia, ela era esposa do filho da madrasta do meu pai. Parece confuso dito dessa maneira, mas, é isso. E, voltando ao início, Tia Maria era professora. Sim, professora! E, ao pronunciar  esta palavra, naquele tempo, soava como uma reverência. Tia Maria e tio Tuninho moravam no centro da cidade, na Rua XV de Novembro (Jundiaí-SP.), tinham  uma bela casa e viviam muito bem com seus dois filhos: Antonio Carlos e Rosângela.  Com frequência, íamos visitá-los. Ir para a casa da tia Maria, para mim, representava muito, era motivo de festa, melhor do que ir a um parque de diversões. Ainda com meus sete, oito anos, admirava a tia Maria, queria ser professora também: tia Maria ensinava um monte de alunos, era respeitada por todos, era fina, falava baixo, tinha um timbre de voz bem suave, trejeitos leves... Era muito educada! Normalmente íamos à tarde, por volta das dezesseis horas e, na chegada, uma mesa farta estava pronta, à nossa espera, com  café, chá, leite, sucos, vários tipos de pães, tortas, doces e outras guloseimas... Era muito bom!  Mas, o que eu gostava mesmo, era de ficar observando a enorme estante de livros da tia Maria.
Imagem: http://visaodigital.org
Imagem: http://espaconarizinho.blogspot.com

Parecia uma livraria! Folheava um e outro livro, demorava um pouco mais nas capas de alguns, nas encadernações... Sentia a textura dos papeis nos meus dedos e o cheiro de cada um... Hummm! Perfume francês! Foi numa dessas idas à casa da tia Maria e numa das inúmeras visitas à sua estante que eu ganhei um livro que marcou para sempre a minha vida: “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Não sei quantas vezes (re)li esse livro, mas o Sítio do Picapau Amarelo marcou a minha infância; Monteiro Lobato me fez sonhar e trago sempre comigo, até hoje, um pouco de pó de pirlimpimpim para não deixar que a vida perca a sua magia.
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Fonte: Blog "nos-entre-tantos"

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