SEJA BEM-VINDO!!!
sábado, setembro 21, 2013
CONCURSO CULTURAL EDUCONEX@O 2013: AS CARAS DA EDUCAÇÃO
Prêmios:
Primeiro lugar - grande prêmio- Viagem internacionalParticipação no evento XXI Colóquio – O papel da Educação no Desenvolvimento - Lisboa, Portugal. Dias do evento: 30 e 31 de janeiro e 2 de fevereiro de 2014
- Duas semanas em PortugalDe 19 de janeiro a 2 de fevereiro de 2014 Inclusos:
• Estadia: acomodação em quarto individual em hotel definido pela promotora;
• Passagem aérea ida e volta - Brasil / Lisboa;
• Traslados de ida e volta (aeroporto/hotel/aeroporto), no valor de € 100,00;
• Ajuda alimentação no valor de € 60,00 diária;
• Disponibilização de verba para passeios culturais; - Cursos de InglêsCurso de inglês de um ano online EF Englishtown Private Teacher + 48 aulas particulares.
Segundo lugar
- 01 (um) iPad
- 01 (um) curso de inglês de um ano online EF Englishtown Private Teacher + 24 aulas particulares
Terceiro lugar
- 01 (um) iPad
- 01 (um) curso de inglês de um ano online EF Englishtown Private Teacher + 12 aulas particulares
Como participar
O Concurso Cultural “Educonex@o 2013 - As Caras da Educação” tem como intuito conhecer e reconhecer os educadores que fazem a diferença na educação brasileira.
Se você é professor da rede pública ou privada, educador de instituto, ONG ou fundação de ensino, conte sua história inspiradora e concorra a uma viagem à Lisboa para participar de um evento educacional e ainda conhecer a cidade. Você pode também tornar-se o correspondente internacional do NET Educação durante o tempo em que estiver por lá.
Será inesquecível! Para participar basta preencher o formulário escrevendo um texto de até 2.500 caracteres (uma folha A4) que relate uma história que tenha vivido relacionada à educação.
Seleção
Veja como será realizada a seleção dos relatos: veja aqui
Regulamento
Leia atentamente o regulamento: veja aqui
Datas
• 16/09/2013 – Abertura das participações
• 21/11/2013 – Encerramento
• 27/11/2013 – Divulgação dos 10 finalistas
• 03/12/2013 – Resultado final – vencedores
Você pode ser o correspondente do NET Educação
• O ganhador do primeiro lugar poderá cobrir o evento XXI Colóquio – O papel da Educação no Desenvolvimento e trazer informações culturais da sua experiência na viagem a Portugal.
• Serão 15 dias (de 19 de janeiro a dia 2 de fevereiro) de muitas atividades e um roteiro cultural indispensável para conhecer Portugal.
• O correspondente terá a tarefa de reportar as experiências vividas durante a viagem e publicar no portal NET Educação textos e fotos que expressem as aprendizagens adquiridas.
________
Fonte: NET Educação
quinta-feira, agosto 08, 2013
(RE)VISITANDO A POESIA CAMONIANA: INTERTEXTUALIZANDO
(RE)VISITANDO A POESIA CAMONIANA: INTERTEXTUALIZANDO
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície inata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
(Carlos
Drummond de Andrade)[1]

A poesia sempre foi a “menina dos meus
olhos”. Lembro-me de passar horas, desde ainda criança, lendo poemas. Uma de
minhas tias (tia Maria), professora de primeira a quarta-série (que hoje chamamos de PEB-I), me presenteou
com vários livros de poemas, dentre eles, Vinicius de Moraes e Cecília
Meireles. Lia muito. Às vezes eu os lia em voz alta, no entanto, eu gostava
mais quando minha tia lia para mim – hoje sei que era pelas características
próprias do gênero: pela entonação, pela impostação da voz, pelo ritmo –
chegava a decorá-los. Outras vezes, não entendia o que o poema queria dizer –
isso ocorreu quando ganhei um livro de poemas de Augusto dos Anjos -, as ideias
pareciam-me confusas (sentia-o, apenas), mas, segundo relatos posteriores da
minha tia, isso, naquele momento, parecia não importar muito para mim.
Importava sim, o fascínio que eu tinha pela construção dos poemas (a estrutura,
as rimas etc.), pelos jogos de palavras (seleção e combinação), pela sonoridade
(ritmo / musicalidade) etc. A minha paixão pela poesia/poemas fez com que eu
guardasse em um caderno de capa dura de duzentas folhas, o qual eu intitulei de
“Meu caderno de versos e poemas”, os meus favoritos.[2]
Incluo, portanto, dentro dos meus poetas
favoritos (que não são poucos), Luís Vaz de Camões (1524 (?) -1580),
poeta português do Classicismo/Renascimento e um dos maiores escritores da
literatura universal, autor de vários textos literários pelos quais nutro
grande admiração. Camões foi imortalizado por conta da obra Os
Lusíadas, considerada a maior epopéia do Renascimento, a qual retrata
os grandes feitos de Portugal no que tange à expansão marítima (as grandes
navegações), em especial a viagem de Vasco da Gama. Porém, minha admiração por
este autor pousa também e, mais especialmente, sobre a sua obra lírica - os sonetos camonianos -, que são os meus
preferidos.
Cultivando o meu grande amor pela poesia,
pude presenciar in loco a geração do
final dos anos oitenta e decorrer dos anos noventa, embalada pelo rock nacional de bandas que conquistaram
em especial o público jovem, porém, acabaram por atingir outras faixas etárias.
A minha empatia por bandas como “Legião Urbana”, “Capital Inicial”, “Titãs”,
“Paralamas do Sucesso”, dentre outras, perpassa por dois momentos: o primeiro, próprio
da adolescência, da juventude, que é a necessidade de se rebelar (com ou sem motivo)
- nesse caso a razão de toda a “rebeldia” era a luta contra a opressão e pela
plena conquista da liberdade -, e por último, pelo meu incrustado romantismo
vislumbrado na poesia contida nas letras das músicas de alguns poetas geniais,
como Renato Russo[3] (ver biografia)[4], por exemplo. Não é por acaso que sua voz passou a ser a voz
de tantos jovens e, até hoje, ainda ecoa vigorosamente.
Antes
da formação da banda Legião Urbana, Renato Russo fazia parte de uma outra
banda, a Aborto Elétrico.
O primeiro álbum da banda Legião Urbana foi lançado em
janeiro de 1985. Todas as letras são da autoria de Renato Russo e denotam, em
sua maioria, aspectos da política, das drogas, do amor e do desamor. É possível
perceber como característica dos versos de Renato Russo, uma relação intrínseca
com a estética de antigos poetas e um tom de romantismo que os envolve e,
ainda, o uso do discurso direto. Isso se confirma se pensarmos na música Eduardo
e Mônica[5],
a qual enfatiza, nas entrelinhas, que o amor é capaz de superar todas as
diferenças, atrelando-se às características de poetas românticos: “Quem
um dia irá dizer / Que existe razão / Nas coisas feitas pelo
coração? / E quem irá dizer / Que não existe razão?”.
Mas, foi
em novembro de 1989, com o lançamento do disco “As quatro estações” que não só eu, mas acredito que uma grande
legião de admiradores do trabalho da banda Legião Urbana pode perceber o brilhantismo
das suas composições, em especial, na música Monte Castelo, marcada
por intertextualidades com a lírica de Camões e com muitas antíteses: “Amor é fogo que arde sem se ver. / É ferida que dói e não se
sente. / É um contentamento descontente. / É dor que desatina sem doer.” e trechos bíblicos (I
carta de São Paulo aos Coríntios): “Ainda que
eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, (...) , e
ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não
tivesse Amor, nada seria. (...) Porque agora vemos por espelho em enigma, mas
então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como
também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes
três; mas o maior destes é o Amor.”
Monte Castelo[6]
Legião
Urbana
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
Essa
letra (e música) transformou-se em um hino para os jovens daquela época e, até
hoje, é possível ver que a poesia de Renato Russo permanece viva. Dessa forma,
associando-se o clássico soneto de Camões à letra e música de um rock popular da Legião Urbana,
conferiu-se uma atualidade aos versos com base no tema abordado – o amor –, que é um sentimento universal
e atemporal.
Sem
dúvida, a estreita ligação entre Renato Russo (e a Legião Urbana) com o público
se deve, em parte, aos mecanismos de interação: linguagem direta, vocabulário
acessível ao seu público alvo, temas recorrentes ao universo dos jovens, como
amor, sexo, drogas, festas e violência urbana, o que pode ser observado no
trecho da canção "Será" (primeiro LP da banda Legião Urbana): "Tire suas mãos de mim / Eu não pertenço a você / Não é
me dominando assim / Que você vai me entender";
ou, então, neste trecho da canção "Geração Coca-Cola" (tornou-se um
hino entre os jovens): "Somos os filhos da
revolução / Somos burgueses sem religião / Nós somos o futuro da nação /
Geração Coca-Cola". A linguagem, os temas que abordava,
o estilo musical, o rock e o jeito
rebelde/ingênuo com que executava suas canções, faziam de Renato Russo um
porta-voz da juventude dos anos 80/90, fato este comprovado pela alta vendagem
dos LPs da banda, bem como pelo sucesso de público nos shows.
Aprecio muito a junção de
uma obra canônica a uma popular[7]:
o poema Fanatismo (de Florbela Espanca[8]),
é cantado pelo cantor Fagner[9]: “Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida/ meus olhos andam
cegos de te ver / Não és sequer a razão do meu viver /pois que tu és já toda
minha vida. Arnaldo Antunes “declama” uma famosa
passagem da obra O primo Basílio, de Eça de Queirós, na música Amor
I love you, cantada na voz de Marisa Monte[10]:
“E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel
devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e
o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo
ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si
mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente
interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia
a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!" (QUEIRÓS, Eça de. O
primo Basílio. 15ª edição, São Paulo: Ática, 1994, p. 134).
Certa
vez, uma professora do curso de Letras, a “Cidinha” (Aparecida do Carmo Frigeri
Berchior[11]),
teceu um comentário simples, mas ao mesmo tempo muito profundo sobre a inserção
da poesia em nossas vidas. Certamente não vou conseguir reproduzi-lo com
exatidão, mas a sua fala, em outras palavras, mostrava que a poesia é inerente
ao ser humano; ela está em toda a parte, inclusive dentro de nós e, talvez seja
por isso que muitas pessoas não consigam percebê-la, não consigam notá-la – a
proximidade “embaça” a visão. Para percebê-la, portanto, é preciso estar com
todos os sentidos em alerta (de repente um perfume, um sabor, um toque, uma
imagem... podem desencadear um sentimento que estava adormecido e nos transportar
para uma outra época, um outro momento que, de certa forma, tenha marcado a
nossa vida).
Hoje
eu busco a poesia a todo o instante, em cada gesto, em cada olhar, em cada
palavra, em cada sorriso (ou em cada lágrima), em cada cena. A poesia vive a me
provocar e ela está sempre presente em minha vida. Posso (com)provar sua
presença a me acompanhar:
Há algum tempo, na rodovia que liga
Pitangueiras a Bebedouro, vinha sozinha dirigindo meu carro quando me deparei
com uma queimada de cana – o fogo ia alto e a fumaça tomou conta da pista, fazendo
com que todos tivessem que parar por motivos de segurança. Era um final de
tarde, o sol estava se pondo e o vermelho deste se confundia com o vermelho do
fogo – era um cenário de pura magia e pura poesia: o cheiro forte da cana
queimando, o barulho do fogo na plantação, a visão escarlate da mistura de
vermelhos – era tudo extremamente emocionante!
Quis naquele momento ter o dom de escrever um
poema, tentar expressar com palavras algo que eu apenas senti. Certamente Camões
ou outro poeta da mesma estirpe conseguisse facilmente essa proeza, eu, fiquei
apenas com o registro visual e o sentimento daqueles momentos de pura poesia.
Hoje posso assegurar que a minha professora estava certa: a poesia está em toda
parte, inclusive dentro de nós.
BIBLIOGRAFIA:
ANDRADE, Carlos
Drummond de. Procura da Poesia. Disponível
em: http://letras.terra.com.br/carlos-drummond-de-andrade/460651/.
Acesso em 03/12/2011.
ESPANCA,
Florbela. Fanatismo. Livro de Sóror
(1923). Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/flor1.html#fanatismo.
Acesso em 03/12/2011.
FAGNER,
Raimundo. Fanatismo (de Florbela
Espanca). Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qIhme8AY8Dk.
Acesso em 03/12/2011.
MONTE,
Marisa. Amor I love you. Disponível em (vídeo): http://www.youtube.com/watch?v=5TdTacizYdA&feature=search.
Acesso em 03/12/2011.
QUEIRÓS, Eça de. O primo Basílio. 15ª edição, São Paulo: Ática, 1994, p. 134.
RUSSO, Renato. Biografia. Disponível em http://www.renatorusso.com.br.
[1] Vídeo disponível em http://www.youtube.com/watch?v=0unax_7VH64,
“Procura da Poesia”, de Carlos Drummond de Andrade na voz do ator Paulo Autran.
[2] Eu ainda possuo este caderno. Encontra-se amarelado pelo tempo, sua
capa já sofreu algumas intervenções com fita adesiva, mas eu o mantenho, como
uma relíquia.
[3] Renato Manfredini Júnior, nome de batismo,
é trocado por Renato Russo em homenagem a dois
pensadores, o inglês Bertrand Russell e o filósofo Jean-Jacques Rousseau,
bem como ao pintor primitivista Henri Rousseau.
[4] Site Oficial de Renato Russo: Disponível em http://www.renatorusso.com.br.
[5] Trabalhei esta letra com os meus alunos de 6ª série/7º ano (Caderno
do Professor/Caderno do Aluno – Currículo do Estado de São Paulo). Fizemos a
leitura do texto, discutimos a temática (oralidade), ouvimos a música,
assistimos ao videoclipe e realizamos as atividades propostas. Houve um
encantamento generalizado por parte dos alunos.
[6] Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=AKqLU7aMU7M.
[7] Entenda-se “popular” apenas como oposição ao que se considera
cânone. Não há, portanto, nenhuma menção pejorativa ao termo.
[8] ESPANCA, Florbela. Fanatismo.
Livro de Sóror (1923). Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/flor1.html#fanatismo.
[9] FAGNER, Raimundo. Fanatismo
(de Florbela Espanca). Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qIhme8AY8Dk
[10] MONTE, Marisa; ANTUNES, Arnaldo. Amor I love you. Disponível
em (vídeo): http://www.youtube.com/watch?v=5TdTacizYdA&feature=search.
[11] Currículo Lattes.
Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=W8111817.
Acesso em 03/12/2011.
______________
Texto apresentado como "Questão Discursiva" no Curso de Língua Portuguesa - Redefor/UNICAMP.
sábado, julho 20, 2013
A ESPERA!..
![]() |
| Imagem: Codinome Beija-Flor |
Silvana M. Moreli
As unhas estão
cheias de terra das muitas tentativas de vencer o abismo
Das muitas vezes
que chegando ao topo, se é lançado de volta para o fundo
Aquele que nunca
chega: o fundo da base do mundo
Dos ressentimentos
- vis sentimentos, de amargura e dor
Rasgo o peito com
o ímpeto de um animal
Indócil, valente,
sagaz, destemido, irracional
Quero minha vida
de volta, quero meu corpo e minha alma
Há em mim a
angústia do retorno, a espera da calma
A insanidade
miserável de quem já foi, virou passado
Não há aurora na
escuridão calada do meu coração
Há uma dor que
teima em doer e uma lágrima que teima em cair
Uma voz rouca
escondida por trás de um grito abafado
Não quero
migalhas, restos, pedaços, quero tudo por inteiro
Escancara os meus
defeitos (que não são poucos),
Jogue-os junto a
mim, no chão imundo da minha consciência
Atire-os contra
mim, um a um como pedras: apedreje-me!
Mas não lance
sobre mim uma punição eterna:
A de não mais
sentir a sua presença,
A de não sentir seu
perfume passeando pela minha lembrança
A morte poderia
até ser um alívio a este corpo sedento de descanso,
Caso ele já não estivesse
morto
Morri tão logo
suas mãos soltaram as minhas
Morri tão logo
seus lábios recusaram-se a dizer o adeus que seus olhos já diziam
Volto-me para
dentro de mim. Silencio
Vejo, à distância,
a poeira levantada no caminho...
Vai dissipando
lentamente junto aos meus pensamentos...
Reminiscências de
uma vida – esta que parece outra
Vejo sumindo ao
longe, a imagem, o pensamento,
O sonho, a poesia,
a poeira, a esperança, o amor...
Vejo, à distância,
o peso da mentira,
A omissão que
virou pecado,
O pecado que virou
doença
A doença que virou
saudade
A saudade que
virou culpa
A culpa que virou
espera...
quinta-feira, julho 18, 2013
quarta-feira, julho 17, 2013
É TUDO TÃO COMPLICADO!
![]() |
| Imagem: Revista Fantástica |
Pedro Bandeira
Por que
tudo neste mundo
É feito
pra complicar?
Por que
é que a sobremesa
Não vem
antes do jantar?
Por que
o recreio é tão curto
E a
aula tão comprida?
Por que
é que todos querem
Complicar
a minha vida?
A razão
de tudo isso
Acho que
eu já descobri:
Todo o
mundo se aproveita
Porque ainda
não cresci.
Mas
esperem só um pouco,
Até que
eu tenha crescido,
Porque eu
vou fazer o mundo
Muito, muito divertido!
Muito, muito divertido!
ORAÇÃO DA CRIANÇA
Senhor!
Fazei que toda criança
Quer seja
loira ou pretinha,
Da
cidade ou lá do morro,
Amarela
ou moreninha...
Quer
seja das avenidas,
Dos sítios,
Seja onde
for...
Tenha
pão, tenha brinquedo,
Tenha
agasalho e saúde
Tenha carinho
e amor.
Senhor!
Fazei também que a criança
Não conheça
nenhum mal,
Que todas
sejam felizes,
Que a
todas Papai Noel
Visite
pelo Natal...
Fazei
também, eu vos peço,
Que sejam
todas iguais...
Vós
sabeis que é muito fácil,
Pois
todas querem somente
Ser criança...
nada mais.
Fazei,
Senhor, que as crianças,
De mãos
dadas, cantem todas
A “Ciranda
Fraternal”
Da Confiança e da Paz!
DESFILE DE MODA ENTRE OS BICHOS
![]() |
| Imagem: Bichinhos Amados |
Walter N. Freitas – “Simplicidade” – Edicel.
Vai começar o desfile
Gritava Dona Raposa,
Cada bicho se apresente
Acompanhado da esposa.
Quando a festa começou,
Houve um grande rebuliço,
Pois nenhum bicho queria
Aproximar-se do Ouriço.
A Onça surgiu radiante
Com um bolero vermelho
E uma saia azul-marinho
Bem acima do joelho.
Houve grande falatório,
Muito bicho desmaiou
Porque a Cegonha vestia
Um curtíssimo maiô.
Os bichos se entreolharam,
Foi mesmo um “Deus nos acuda”,
Pois não é que a Saracura
Se apresentou de “bermuda”!
Segurando o par de luvas
E um finíssimo casaco,
Apareceu Dona Sapa
De vestido “moda saco”.
O Porco ficou vaidoso,
Porém um tanto enciumado,
Quando viu a Dona Porca
De vestido decotado.
A zebra, muito invejosa,
Quase que ficou maluca,
Quando viu a Dona Cabra
Desfilando de peruca.
Com as unhas esmaltadas
E vestido minissaia,
Entre palmas e sorrisos,
Desfilou a Papagaia.
Sempre jovem, sempre alegre,
A senhora do Elefante
Apertou bem a cintura
Para ficar elegante.
A Cutia desmaiou
Nos braços do Jacaré,
Quando Dona Caranguejo
Desfilou de marcha a ré.
O macaco estava bravo
Com a falta de bom-tom,
Não é que Dona Macaca
Passara muito batom!
Quando a Gambá desfilou
Com seu vestido de miss,
O Bode saiu correndo
E o Boi tampou o nariz.
A Foca fez traje próprio
Para esconder a gordura
E afirmava com orgulho
_ Eu só uso alta cintura!
Razão teve a Ovelhinha
Ao arrumar muito “fã”,
Estava mesmo bonito
O seu casaco de lã.
A mula, muito esquecida,
Vejam só que distração:
Deixou seu vestido em casa,
Surgiu de combinação.
Para encerrar o desfile,
Apresentou-se a abelhinha
Com o avental de trabalho,
Única roupa que tinha.
Depois de grande parada,
Aguardou-se a decisão:
Seria ouvida a palavra
Decisiva do Leão:
Por ser muito laboriosa
_ “a justiça me aconselha _
Confiro o primeiro prêmio
À senhora Dona Abelha”.
Foi assim que a bicharada
Deixou de lado a grandeza
E aprendeu que no trabalho
Está a suprema beleza.
GRAMÁTICA DIVERTIDA
Walter Nieble de Freitas
Que a tônica tem no fim.
Repare nestes exemplos:
Jabá, rapé, querubim.
´
Mas quando, toda vaidosa
Na penúltima ela vem,
Aprenda, é PAROXÍTONA
O nome que lhe convém.
Pedrinho, ama, criança...
Eu nunca vi coisa assim;
Destas palavras o número
Em Português não tem fim.
Quanto à PROPAROXÍTONA
Coisa mais simples não há:
Repare que o acento tônico
Na antepenúltima está.
Lâmpada, médico, pálido...
(São poucas em Português)
Por isso, destas palavras
Dou como exemplos, só três.
Uma regrinha importante
Quero que fique lembrada:
Toda proparoxítona,
Em Português é acentuada.
segunda-feira, julho 15, 2013
O PÁSSARO, O RELÓGIO, O ESPELHO", DE CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE
![]() |
| Imagem: Museu da Língua Portuguesa |
Um pássaro engaiolado,
mestre de canto e harmonia,
disse a um relógio cansado
de tanto dar meio-dia :
-Relógio, isto não tem jeito!
Até parece chalaça!
Eu canto, sem ter proveito
e tu trabalhas, de graça !
Queres ouvir um conselho ?
Vê lá se é do teu agrado :
tu te conservas parado,
eu fecho a minha garganta,
fazendo como esse espelho,
que não dá horas nem canta !
Eu já estou desencantado
de cantar sem resultado.
E disse o relógio : - Amigo,
o mesmo se dá comigo.
Mas o espelho disse : - Não !
Nenhum dos dois tem razão.
Nenhum pássaro gorjeia,
sem ter a barriga cheia.
Nenhum relógio tem vida
sem o sustento da corda,
que a corda é a sua comida.
Eu vivo neste abandono,
sem dar despesa ao meu dono.
Sem comer corda ou alpiste,
trabalho e, nesta canseira,
estou sempre retratando,
pois, quer queira, quer não queira,
tenho de ser retratista !
E, desde que fui criado
e comecei a espelhar,
nunca vi um retratado,
que, em mim se vindo mirar,
dissesse : - Muito obrigado!
que é modo civilizado
de se pagar, sem pagar.
Catullo da Paixão Cearense
1863/1946
Todos os direitos reservados ao autor
_________
FONTE: SardenbergPoesias
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