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quinta-feira, agosto 08, 2013

(RE)VISITANDO A POESIA CAMONIANA: INTERTEXTUALIZANDO

(RE)VISITANDO A POESIA CAMONIANA: INTERTEXTUALIZANDO

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície inata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
(Carlos Drummond de Andrade)[1]


A poesia sempre foi a “menina dos meus olhos”. Lembro-me de passar horas, desde ainda criança, lendo poemas. Uma de minhas tias (tia Maria), professora de primeira a quarta-série  (que hoje chamamos de PEB-I), me presenteou com vários livros de poemas, dentre eles, Vinicius de Moraes e Cecília Meireles. Lia muito. Às vezes eu os lia em voz alta, no entanto, eu gostava mais quando minha tia lia para mim – hoje sei que era pelas características próprias do gênero: pela entonação, pela impostação da voz, pelo ritmo – chegava a decorá-los. Outras vezes, não entendia o que o poema queria dizer – isso ocorreu quando ganhei um livro de poemas de Augusto dos Anjos -, as ideias pareciam-me confusas (sentia-o, apenas), mas, segundo relatos posteriores da minha tia, isso, naquele momento, parecia não importar muito para mim. Importava sim, o fascínio que eu tinha pela construção dos poemas (a estrutura, as rimas etc.), pelos jogos de palavras (seleção e combinação), pela sonoridade (ritmo / musicalidade) etc. A minha paixão pela poesia/poemas fez com que eu guardasse em um caderno de capa dura de duzentas folhas, o qual eu intitulei de “Meu caderno de versos e poemas”, os meus favoritos.[2]
Incluo, portanto, dentro dos meus poetas favoritos (que não são poucos), Luís Vaz de Camões (1524 (?) -1580), poeta português do Classicismo/Renascimento e um dos maiores escritores da literatura universal, autor de vários textos literários pelos quais nutro grande admiração. Camões foi imortalizado por conta da obra Os Lusíadas, considerada a maior epopéia do Renascimento, a qual retrata os grandes feitos de Portugal no que tange à expansão marítima (as grandes navegações), em especial a viagem de Vasco da Gama. Porém, minha admiração por este autor pousa também e, mais especialmente, sobre a sua obra lírica - os sonetos camonianos -, que são os meus preferidos.
Cultivando o meu grande amor pela poesia, pude presenciar in loco a geração do final dos anos oitenta e decorrer dos anos noventa, embalada pelo rock nacional de bandas que conquistaram em especial o público jovem, porém, acabaram por atingir outras faixas etárias. A minha empatia por bandas como “Legião Urbana”, “Capital Inicial”, “Titãs”, “Paralamas do Sucesso”, dentre outras, perpassa por dois momentos: o primeiro, próprio da adolescência, da juventude, que é a necessidade de se rebelar (com ou sem motivo) - nesse caso a razão de toda a “rebeldia” era a luta contra a opressão e pela plena conquista da liberdade -, e por último, pelo meu incrustado romantismo vislumbrado na poesia contida nas letras das músicas de alguns poetas geniais, como Renato Russo[3] (ver biografia)[4], por exemplo.  Não é por acaso que sua voz passou a ser a voz de tantos jovens e, até hoje, ainda ecoa vigorosamente.
Antes da formação da banda Legião Urbana, Renato Russo fazia parte de uma outra banda, a Aborto Elétrico.
O primeiro álbum da banda Legião Urbana foi lançado em janeiro de 1985. Todas as letras são da autoria de Renato Russo e denotam, em sua maioria, aspectos da política, das drogas, do amor e do desamor. É possível perceber como característica dos versos de Renato Russo, uma relação intrínseca com a estética de antigos poetas e um tom de romantismo que os envolve e, ainda, o uso do discurso direto. Isso se confirma se pensarmos na música Eduardo e Mônica[5], a qual enfatiza, nas entrelinhas, que o amor é capaz de superar todas as diferenças, atrelando-se às características de poetas românticos: Quem um dia irá dizer / Que existe razão / Nas coisas feitas pelo coração?  / E quem irá dizer / Que não existe razão?”.
Mas, foi em novembro de 1989, com o lançamento do disco “As quatro estações” que não só eu, mas acredito que uma grande legião de admiradores do trabalho da banda Legião Urbana pode perceber o brilhantismo das suas composições, em especial, na música Monte Castelo, marcada por intertextualidades com a lírica de Camões e com muitas antíteses: “Amor é fogo que arde sem se ver. / É ferida que dói e não se sente. / É um contentamento descontente. / É dor que desatina sem doer.” e trechos bíblicos (I carta de São Paulo aos Coríntios): “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, (...) , e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. (...) Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.”

 Monte Castelo[6]

Legião Urbana


Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

Essa letra (e música) transformou-se em um hino para os jovens daquela época e, até hoje, é possível ver que a poesia de Renato Russo permanece viva. Dessa forma, associando-se o clássico soneto de Camões à letra e música de um rock popular da Legião Urbana, conferiu-se uma atualidade aos versos com base no tema abordado – o amor –, que é um sentimento universal e atemporal.
Sem dúvida, a estreita ligação entre Renato Russo (e a Legião Urbana) com o público se deve, em parte, aos mecanismos de interação: linguagem direta, vocabulário acessível ao seu público alvo, temas recorrentes ao universo dos jovens, como amor, sexo, drogas, festas e violência urbana, o que pode ser observado no trecho da canção "Será" (primeiro LP da banda Legião Urbana): "Tire suas mãos de mim / Eu não pertenço a você / Não é me dominando assim / Que você vai me entender"; ou, então, neste trecho da canção "Geração Coca-Cola" (tornou-se um hino entre os jovens): "Somos os filhos da revolução / Somos burgueses sem religião / Nós somos o futuro da nação / Geração Coca-Cola". A linguagem, os temas que abordava, o estilo musical, o rock e o jeito rebelde/ingênuo com que executava suas canções, faziam de Renato Russo um porta-voz da juventude dos anos 80/90, fato este comprovado pela alta vendagem dos LPs da banda, bem como pelo sucesso de público nos shows.
Aprecio muito a junção de uma obra canônica a uma popular[7]: o poema Fanatismo (de Florbela Espanca[8]), é cantado pelo cantor Fagner[9]: Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida/ meus olhos andam cegos de te ver / Não és sequer a razão do meu viver /pois que tu és já toda minha vida. Arnaldo Antunes “declama” uma famosa passagem da obra O primo Basílio, de Eça de Queirós, na música Amor I love you, cantada na voz de Marisa Monte[10]: “E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!" (QUEIRÓS, Eça de. O primo Basílio. 15ª edição, São Paulo: Ática, 1994, p. 134).
Certa vez, uma professora do curso de Letras, a “Cidinha” (Aparecida do Carmo Frigeri Berchior[11]), teceu um comentário simples, mas ao mesmo tempo muito profundo sobre a inserção da poesia em nossas vidas. Certamente não vou conseguir reproduzi-lo com exatidão, mas a sua fala, em outras palavras, mostrava que a poesia é inerente ao ser humano; ela está em toda a parte, inclusive dentro de nós e, talvez seja por isso que muitas pessoas não consigam percebê-la, não consigam notá-la – a proximidade “embaça” a visão. Para percebê-la, portanto, é preciso estar com todos os sentidos em alerta (de repente um perfume, um sabor, um toque, uma imagem... podem desencadear um sentimento que estava adormecido e nos transportar para uma outra época, um outro momento que, de certa forma, tenha marcado a nossa vida).
Hoje eu busco a poesia a todo o instante, em cada gesto, em cada olhar, em cada palavra, em cada sorriso (ou em cada lágrima), em cada cena. A poesia vive a me provocar e ela está sempre presente em minha vida. Posso (com)provar sua presença a me acompanhar:
Há algum tempo, na rodovia que liga Pitangueiras a Bebedouro, vinha sozinha dirigindo meu carro quando me deparei com uma queimada de cana – o fogo ia alto e a fumaça tomou conta da pista, fazendo com que todos tivessem que parar por motivos de segurança. Era um final de tarde, o sol estava se pondo e o vermelho deste se confundia com o vermelho do fogo – era um cenário de pura magia e pura poesia: o cheiro forte da cana queimando, o barulho do fogo na plantação, a visão escarlate da mistura de vermelhos – era tudo extremamente emocionante!
Quis naquele momento ter o dom de escrever um poema, tentar expressar com palavras algo que eu apenas senti. Certamente Camões ou outro poeta da mesma estirpe conseguisse facilmente essa proeza, eu, fiquei apenas com o registro visual e o sentimento daqueles momentos de pura poesia. Hoje posso assegurar que a minha professora estava certa: a poesia está em toda parte, inclusive dentro de nós.

 BIBLIOGRAFIA:

ANDRADE, Carlos Drummond de. Procura da Poesia.  Disponível em: http://letras.terra.com.br/carlos-drummond-de-andrade/460651/. Acesso em 03/12/2011.

ESPANCA, Florbela. Fanatismo. Livro de Sóror (1923). Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/flor1.html#fanatismo. Acesso em 03/12/2011.

FAGNER, Raimundo. Fanatismo (de Florbela Espanca). Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qIhme8AY8Dk. Acesso em 03/12/2011.

MONTE, Marisa. Amor I love you.  Disponível em (vídeo): http://www.youtube.com/watch?v=5TdTacizYdA&feature=search. Acesso em 03/12/2011.

QUEIRÓS, Eça de. O primo Basílio. 15ª edição, São Paulo: Ática, 1994, p. 134.
RUSSO, Renato. Biografia. Disponível em http://www.renatorusso.com.br.




[1] Vídeo disponível em http://www.youtube.com/watch?v=0unax_7VH64, “Procura da Poesia”, de Carlos Drummond de Andrade na voz do ator Paulo Autran.
[2] Eu ainda possuo este caderno. Encontra-se amarelado pelo tempo, sua capa já sofreu algumas intervenções com fita adesiva, mas eu o mantenho, como uma relíquia.
[3] Renato Manfredini Júnior, nome de batismo, é trocado por Renato Russo em homenagem a dois pensadores, o inglês Bertrand Russell e o filósofo Jean-Jacques Rousseau, bem como ao pintor primitivista Henri Rousseau.
[4] Site Oficial de Renato Russo: Disponível em http://www.renatorusso.com.br.
[5] Trabalhei esta letra com os meus alunos de 6ª série/7º ano (Caderno do Professor/Caderno do Aluno – Currículo do Estado de São Paulo). Fizemos a leitura do texto, discutimos a temática (oralidade), ouvimos a música, assistimos ao videoclipe e realizamos as atividades propostas. Houve um encantamento generalizado por parte dos alunos.
[7] Entenda-se “popular” apenas como oposição ao que se considera cânone. Não há, portanto, nenhuma menção pejorativa ao termo.
[8] ESPANCA, Florbela. Fanatismo. Livro de Sóror (1923). Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/flor1.html#fanatismo.
[9] FAGNER, Raimundo. Fanatismo (de Florbela Espanca). Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qIhme8AY8Dk
[10] MONTE, Marisa; ANTUNES, Arnaldo. Amor I love you.  Disponível em (vídeo): http://www.youtube.com/watch?v=5TdTacizYdA&feature=search.
[11] Currículo Lattes. Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=W8111817. Acesso em 03/12/2011.
______________
Texto apresentado como "Questão Discursiva" no Curso de Língua Portuguesa - Redefor/UNICAMP.

sábado, julho 20, 2013

A ESPERA!..

Imagem: Codinome Beija-Flor

Silvana M. Moreli

As unhas estão cheias de terra das muitas tentativas de vencer o abismo
Das muitas vezes que chegando ao topo, se é lançado de volta para o fundo
Aquele que nunca chega: o fundo da base do mundo
Dos ressentimentos - vis sentimentos, de amargura e dor
Rasgo o peito com o ímpeto de um animal
Indócil, valente, sagaz, destemido, irracional
Quero minha vida de volta, quero meu corpo e minha alma
Há em mim a angústia do retorno, a espera da calma
A insanidade miserável de quem já foi, virou passado
Não há aurora na escuridão calada do meu coração
Há uma dor que teima em doer e uma lágrima que teima em cair
Uma voz rouca escondida por trás de um grito abafado
Não quero migalhas, restos, pedaços, quero tudo por inteiro
Escancara os meus defeitos (que não são poucos),
Jogue-os junto a mim, no chão imundo da minha consciência
Atire-os contra mim, um a um como pedras: apedreje-me!
Mas não lance sobre mim uma punição eterna:
A de não mais sentir a sua presença,
A de não sentir seu perfume passeando pela minha lembrança
A morte poderia até ser um alívio a este corpo sedento de descanso,
Caso ele já não estivesse morto
Morri tão logo suas mãos soltaram as minhas
Morri tão logo seus lábios recusaram-se a dizer o adeus que seus olhos já diziam
Volto-me para dentro de mim. Silencio
Vejo, à distância, a poeira levantada no caminho...
Vai dissipando lentamente junto aos meus pensamentos...
Reminiscências de uma vida – esta que parece outra
Vejo sumindo ao longe, a imagem, o pensamento,
O sonho, a poesia, a poeira, a esperança, o amor...
Vejo, à distância, o peso da mentira,
A omissão que virou pecado,
O pecado que virou doença
A doença que virou saudade
A saudade que virou culpa
A culpa que virou espera... 

quarta-feira, julho 17, 2013

É TUDO TÃO COMPLICADO!

Imagem: Revista Fantástica
 Pedro Bandeira

Por que tudo neste mundo
É feito pra complicar?
Por que é que a sobremesa
Não vem antes do jantar?

Por que o recreio é tão curto
E a aula tão comprida?
Por que é que todos querem
Complicar a minha vida?

A razão de tudo isso
Acho que eu já descobri:
Todo o mundo se aproveita
Porque ainda não cresci.

Mas esperem só um pouco,
Até que eu tenha crescido,
Porque eu vou fazer o mundo
Muito, muito divertido!

ORAÇÃO DA CRIANÇA

Imagem: Comunidade Anunciame.com

Bárbara V. de Carvalho

Senhor! Fazei que toda criança
Quer seja loira ou pretinha,
Da cidade ou lá do morro,
Amarela ou moreninha...
Quer seja das avenidas,
Dos sítios,
Seja onde for...
Tenha pão, tenha brinquedo,
Tenha agasalho e saúde
Tenha carinho e amor.

Senhor! Fazei também que a criança
Não conheça nenhum mal,
Que todas sejam felizes,
Que a todas Papai Noel
Visite pelo Natal...
Fazei também, eu vos peço,
Que sejam todas iguais...
Vós sabeis que é muito fácil,
Pois todas querem somente
Ser criança... nada mais.

Fazei, Senhor, que as crianças,
De mãos dadas, cantem todas
A “Ciranda Fraternal”
Da Confiança e da Paz!

DESFILE DE MODA ENTRE OS BICHOS



Walter N. Freitas – “Simplicidade” – Edicel.

Vai começar o desfile
Gritava Dona Raposa,
Cada bicho se apresente
Acompanhado da esposa.

Quando a festa começou,
Houve um grande rebuliço,
Pois nenhum bicho queria
Aproximar-se do Ouriço.

A Onça surgiu radiante
Com um bolero vermelho
E uma saia azul-marinho
Bem acima do joelho.

Houve grande falatório,
Muito bicho desmaiou
Porque a Cegonha vestia
Um curtíssimo maiô.

Os bichos se entreolharam,
Foi mesmo um “Deus nos acuda”,
Pois não é que a Saracura
Se apresentou de “bermuda”!

Segurando o par de luvas
E um finíssimo casaco,
Apareceu Dona Sapa
De vestido “moda saco”.

O Porco ficou vaidoso,
Porém um tanto enciumado,
Quando viu a Dona Porca
De vestido decotado.

A zebra, muito invejosa,
Quase que ficou maluca,
Quando viu a Dona Cabra
Desfilando de peruca.

Com as unhas esmaltadas
E vestido minissaia,
Entre palmas e sorrisos,
Desfilou a Papagaia.

Sempre jovem, sempre alegre,
A senhora do Elefante
Apertou bem a cintura
Para ficar elegante.

A Cutia desmaiou
Nos braços do Jacaré,
Quando Dona Caranguejo
Desfilou de marcha a ré.

O macaco estava bravo
Com a falta de bom-tom,
Não é que Dona Macaca
Passara muito batom!

Quando a Gambá desfilou
Com seu vestido de miss,
O Bode saiu correndo
E o Boi tampou o nariz.

A Foca fez traje próprio
Para esconder a gordura
E afirmava com orgulho
_ Eu só uso alta cintura!

Razão teve a Ovelhinha
Ao arrumar muito “fã”,
Estava mesmo bonito
O seu casaco de lã.

A mula, muito esquecida,
Vejam só que distração:
Deixou seu vestido em casa,
Surgiu de combinação.

Para encerrar o desfile,
Apresentou-se a abelhinha
Com o avental de trabalho,
Única roupa que tinha.

Depois de grande parada,
Aguardou-se a decisão:
Seria ouvida a palavra
Decisiva do Leão:

Por ser muito laboriosa
_ “a justiça me aconselha _
Confiro o primeiro prêmio
À senhora Dona Abelha”.

Foi assim que a bicharada
Deixou de lado a grandeza
E aprendeu que no trabalho

Está a suprema beleza.

GRAMÁTICA DIVERTIDA

Walter Nieble de Freitas

Imagem: Gramática para Concursos

É OXÍTONA a palavra
Que a tônica tem no fim.
Repare nestes exemplos:
Ja, ra, querubim.
´
Mas quando, toda vaidosa
Na penúltima ela vem,
Aprenda, é PAROXÍTONA
O nome que lhe convém.

Pedrinho, ama, criança...
Eu nunca vi coisa assim;
Destas palavras o número
Em Português não tem fim.

Quanto à PROPAROXÍTONA
Coisa mais simples não há:
Repare que o acento tônico
Na antepenúltima está.

Lâmpada, dico, lido...
(São poucas em Português)
Por isso, destas palavras
Dou como exemplos, só três.

Uma regrinha importante
Quero que fique lembrada:
Toda proparoxítona,
Em Português é acentuada.

segunda-feira, julho 15, 2013

O PÁSSARO, O RELÓGIO, O ESPELHO", DE CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE

Imagem: Museu da Língua Portuguesa

Um pássaro engaiolado,
mestre de canto e harmonia,
disse a um relógio cansado
de tanto dar meio-dia :

-Relógio, isto não tem jeito!
Até parece chalaça!
Eu canto, sem ter proveito
e tu trabalhas, de graça !

Queres ouvir um conselho ?
Vê lá se é do teu agrado :
tu te conservas parado,
eu fecho a minha garganta,
fazendo como esse espelho,
que não dá horas nem canta !
Eu já estou desencantado
de cantar sem resultado.

E disse o relógio : - Amigo,
o mesmo se dá comigo.
Mas o espelho disse : - Não !
Nenhum dos dois tem razão.

Nenhum pássaro gorjeia,
sem ter a barriga cheia.
Nenhum relógio tem vida
sem o sustento da corda,
que a corda é a sua comida.

Eu vivo neste abandono,
sem dar despesa ao meu dono.
Sem comer corda ou alpiste,
trabalho e, nesta canseira,
estou sempre retratando,
pois, quer queira, quer não queira,
tenho de ser retratista !

E, desde que fui criado
e comecei a espelhar,
nunca vi um retratado,
que, em mim se vindo mirar,
dissesse : - Muito obrigado!
que é modo civilizado
de se pagar, sem pagar.


Catullo da Paixão Cearense

1863/1946

Todos os direitos reservados ao autor

_________

OS CEGOS E O ELEFANTE, ADAPTAÇÃO DE HELENA P. VIEIRA, IN "O MUNDO DA CRIANÇA"

                                             Imagem: mahttp://maeperfeita.wordpress.com/2013/03/eperfeita.wordpress.com


OS CEGOS E O ELEFANTE

(Ad. de Helena P. Vieira, in "O mundo da criança"

A beira de uma estrada

que conduz a Jericó
seis cegos, sem dizer nada,
seus barretes estendiam,
pedindo a quem tinha dó,
esmolas de que viviam.
Todos seis,porém, sentiam
bastante não conhecer,
o elefante, que diziam
ser um bonito animal,
muito grande, muito forte,
incapaz de fazer mal.
Quando ali aconteceu
passar rico viajante
conduzindo um elefante.
cada um se convenceu
que podia, com seu tato,
de uma vez saber, assim,
aproveitando tal fato,
que bicho era aquele, enfim.
O primeiro, nas ilhargas
apalpando o elefante.
"Já sei são paredes largas".
Disse alegre, triunfante.
"Qual nada disse o segundo"
que passando,com presteza,
as mãos sobre a grande presa
do elefante, assim falou:
"Enganou-se, meu amigo,
ele é bem parecido,
com lanças pontudas, fortes,
capazes de causar cortes."
"Pois sim! falou o terceiro,  
para mim um elefante
à cobra é que é semelhante."
"Nunca ví tamanha asneira,
disse o quarto convencido,
para mim é uma palmeira!"
O quinto cego, porém,
como a orelha alcançasse,
disse opinando também:
"Deixem de tanta parola,
o elefante é, tão somente,
uma grande ventarola.
E o sexto pegando a cauda,
do bicho, disse por fim:
"Qual nada! Mas que cegueira!
Como a corda, é ele assim."
E o guia do elefante,
ao lado do viajante,
seguiu deixando abalados,
os seis cegos exaltados,
discutirem esta questão.
"Se a verdade é tão difícil
de apurar, em discussão,
fiquemos, pois, cada um,
com sua conivicção.
________
Fonte: Livro Errante Blog

OS CEGOS E O ELEFANTE, DE MALBA TAHAN


     Achavam-se seis cegos sentados à beira da estrada, nas proximidades de Jericó, pedindo esmolas. Ouviram aludir ao elefante, mas não faziam a menor ideia desse animal.
     Um belo dia, aconteceu cruzar a estrada em que se achavam os seis cegos, um homem conduzindo um elefante domesticado. Informados do sucesso, rogaram ao guia que parasse e lhes permitisse examinar o animal. Impossibilitados de ver com os olhos, iriam conhecer pelo tato - como fazem os cegos - o bicho que lhes interessava.
     O primeiro cego apalpou o elefante nas ilhargas e disse: - Já sei! o elefante é tal qual um muro, forte e áspero.
     O segundo passou as mãos pelas presas e afirmou:
     - Enganou-se, meu amigo. O elefante é mais parecido com lanças do que com muros; é redondo, liso e agudo nas extremidades. Eu é que sei como é um elefante.
     O terceiro correu os dedos pela tromba do paquiderme e declarou com segurança: 
     - Ambos estão enganados.Quem tiver a menor parcela de senso percebe que o elefante é parecido com uma grande cobra.
     O quarto cego, porém, estendeu os braços, abraçou uma das pernas do animal e disse:
      - O pior cego é o que não quer ver. O elefante, não há dúvida, é assim a modo de uma palmeira. Asseguro que ele é roliço e alto que nem um coqueiro.
     O quinto cego, homem de elevada estatura, alçando a mão, apanhou a orelha do elefante: apalpou-a e afirmou categoricamente:
     - Parecem  tontos! O elefante é uma grande ventarola!
     Adiantou-se, finalmente, o sexto cego, e, segurando o elefante pela cauda exclamou:
     - Quanta cegueira. Não percebem vocês patavina. O elefante nada tem de parecido com muro,lança,cobra,palmeira ou ventarola! Tudo isso é ridículo! O elefante é apenas um pedaço de corda.
     O guia, então, tocou o elefante; o enorme animal continuou a viagem e os seis cegos ficaram à beira da estrada a discutir, exaltados, insultando-se uns aos outros com pesadas palavras, porque não chegavam a um acordo sobre a forma exata de um 
elefante.
     Muita gente encontramos que, à semelhança dos cegos de Jericó, adianta informações erradas e falsas sobre coisas que não conhece, na convicção de que está com a verdade.
     Na vida,precisamos ouvir sempre os sábios conselhos dos mais velhos:pois, muitas vezes, somos, sem que possamos perceber, iludidos pela aparência enganosa das coisas.

(Em: Lendas do céu e da terra)

Vamos aprender mais:
 

Ilharga -Cada uma das partes laterais e inferiores do baixo-ventre.
Parte lateral de qualquer corpo:
Paquiderme - animal que tem pele espessa. Elefante,Rinoceronte, hipopótamo.

Alçando - levantando. Do verbo alçar: levantar.
__________
Fonte: DIGnow

segunda-feira, julho 08, 2013

TIC: A AUTONOMIA DO PROFESSOR É FUNDAMENTAL PARA A INOVAÇÃO EDUCACIONAL

Por Luciano Sathler
05.07.2013 18h11 - atualizado em 05.07.2013 18h26

Sala de aula

A percepção dos professores sobre os impactos que as Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC têm no seu trabalho aponta a necessidade de serem repensadas as políticas públicas quanto à formação e a autonomia dos profissionais do ensino.
Desde 2011, o Centro de Estudos Sobre as TIC realiza anualmente a pesquisa TIC Educação. Em 2012, foram entrevistados 1.592 professores de português e matemática, numa amostra de 856 escolas públicas situadas em áreas urbanas por todo o Brasil. Alunos, diretores e coordenadores pedagógicos também participaram. 
Luciano Sathler
Dois dados saltam imediatamente aos olhos dentre os resultados anunciados. Primeiramente, o fato de que 99% dos professores havia feito uso da internet nos 3 últimos meses antes da pesquisa. E que apenas 46% dos educadores graduados cursaram uma disciplina específica sobre computadores e internet durante sua formação no Ensino Superior.
A maioria dos professores concorda que:

1, As TIC ampliam o acesso a recursos mais diversificados e de melhor qualidade;
2. As TIC colaboram para que os educadores passem a adotar novos métodos de ensino;
3. As TIC são instrumentos que facilitam o cumprimento das tarefas administrativas;
4. As TIC são usadas para ampliar o trabalho colaborativo com outros colegas da mesma escola;
5. As TIC servem para articular contatos com professores de outras escolas e com especialistas de fora da escola;
6. As TIC servem para a realização de avaliações mais individualizadas dos estudantes.
O infográfico abaixo agrega ainda mais informações:



Uma das conclusões que se depreendem desses resultados é que as TIC podem ser potencializadas para a inovação das metodologias de ensino, com ênfase na personalização das relações de ensino-aprendizagem e no trabalho colaborativo.
Porém, a personalização das relações de ensino-aprendizagem e o trabalho colaborativo dependem de horizontalizar mais as hierarquias e descentralizar a tomada de decisão, para privilegiar a autonomia do trabalho dos professores.
Autonomia no trabalho significa liberdade pessoal para desempenhar funções e papéis de formas personalizadas, únicas e diferenciadas. Os profissionais esperam ter maior liberdade e controle sobre suas ações, inclusive para determinarem individualmente como, onde e, algumas vezes, quando o trabalho acontecerá.
Dentre outros aspectos, autonomia é dar condições para que professores possam priorizar e determinar o ritmo de suas atividades, alocar recursos, planejar e agendar tarefas, além de determinar seus próprios métodos de trabalho. 
Os educadores poderiam formar equipes autônomas ao redor de tarefas ou temas interdisciplinares, escolherem caminhos próprios e independentes de aprendizagem para sua contínua formação, além de compartilharem suas responsabilidades com outros professores, dentro e fora da escola. Essas condições para a autonomia aumentam o comprometimento, o senso de responsabilidade individual e a satisfação com o trabalho. 
As TIC permitem que a sala de aula seja estendida e possibilitam o desenvolvimento de sistemas não lineares de ensino, seja por meio do hipertexto e da hipermídia, o que privilegia a aprendizagem por exploração e descoberta. O estudante precisa desenvolver novas habilidades para aprender em contextos informatizados, tais como a capacidade de selecionar as melhores formas de organizar e avaliar as informações. 
O desenvolvimento do pensamento crítico pelos estudantes pede professores com maior autonomia, que não se sintam tolhidos por políticas distanciadas da realidade e exigências autoritárias que primam pelo excesso de normas, burocracia e dirigismo. A gestão educacional para a inovação tem a liberdade, a criatividade e a participação como seus fundamentos. 

*Luciano Sathler é colunista do Canaltech e Doutor em Administração pela FEA / USP (2008), Mestre em Administração pela Universidade Metodista de São Paulo (2002), onde atua como professor, Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância ABED e Coordenador Geral de Educação a Distância na Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

CONSULTORIA DESENHA ESCOLAS PARA ESTIMULAR CÉREBRO

Qual a diferença entre um corredor reto e comprido e um cheio de curvas e desvios? Além da estética, se for em uma escola, o caminho sinuoso vai proporcionar que os alunos aprendam mesmo quando estão se deslocando de uma aula para a outra e, por isso, é o preferido da professora e arquiteta Amy Yurko, fundadora da BrainSpaces, consultoria norte-americana especializada em projetos para escolas que estimulam a criatividade e o aprendizado de seus estudantes.
A empresa com sede em Chicago já desenvolveu centenas de projetos inovadores desde 2004 para instituições e redes de ensino nos Estados Unidos. Esses ambientes educacionais para o ensino fundamental, médio e superior não são apenas modernos na aparência, mas se baseiam em pesquisas sobre como o cérebro funciona e como as pessoas aprendem.
crédito venimo / Fotolia.com
“Pesquisadores sabem que aprendemos melhor quando as sinapses neurais são estimuladas e esses cientistas estão constantemente descobrindo quais atividades estimulam a atividade cerebral mais efetivamente. Nós traduzimos isso para a arquitetura das escolas. No caso do corredor, por exemplo, sabe-se que as atividades cerebrais são aceleradas quando as pessoas andam em ziguezague, muito mais do que quando andam em linha reta”, sintetiza Amy, que trabalha há 20 anos criando espaços educacionais.
O trabalho de Amy e sua equipe trouxe resultados a uma rede inteira de escolas. Nela, diz a consultora, apenas 50% dos alunos terminavam o ensino médio e, naquele ano, professores realizaram a maior greve da história do estado. Amy colaborou com todo o planejamento da transformação da rede escolar, que passou por mudanças no currículo, nas práticas de ensino e nos contratos de professores até as novas facilidades dos colégios.
Levando em conta pesquisas baseadas no funcionamento do cérebro, a principal pergunta feita pelo time da BrainSpaces aos gestores na época era: “Como seria se a escola realmente importasse?” O novo design que surgiu desse trabalho incluía ambientes sem paredes e espaços colaborativos, onde os professores puderam incentivar habilidades como autonomia e iniciativa, por exemplo. A nova estratégia aumentou a taxa de alunos formados para 87%.
Veja o vídeo, em inglês, de um dos projetos
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lvIuMLhIFc0#t=148s
Atuação
Os projetos da BrainSpaces nunca são iguais, tanto nas soluções como no processo. Embora o ponto de partida seja o conhecimento acumulado pela equipe sobre atividades cerebrais, o trabalho é desenvolvido de acordo com as necessidades, expectativas e orçamento de cada rede de ensino ou escola atendida pela consultoria. Antes do desenho e execução das obras, a equipe, que normalmente tem de dois a três profissionais, conversa com professores, alunos, gestores, pais e membros da comunidade. Essa primeira fase é chamada de iniciação, que é seguida pela descoberta, quando também são levantados dados sobre matrículas, taxas de evasão e graduação, grau de satisfação dos pais, engajamento dos alunos, currículo e atividades extraclasse. Só depois da análise dessas informações é que a fase do design em si começa.
Na maioria dos casos, a BrainSpaces não é responsável pela execução da reforma ou da construção da escola, mas presta subsídios e consultoria a arquitetos para que eles agreguem elementos inovadores em seus projetos. Mesmo nesses casos, a empresa faz questão de acompanhar as próximas duas etapas que completam o ciclo, de implantação e avaliação.
“Para cada projeto, essas etapas podem ter ênfase e duração diferentes. O modelo de trabalho permanece o mesmo, mas há uma flexibilidade no processo para acomodar condições e características específicas de cada cliente. Além disso, sempre aplicamos lições aprendidas no passado em cada novo trabalho”, diz Amy.
Quando o prédio está pronto, a BrainSpaces ajuda as pessoas que vão ocupá-lo a usarem da melhor maneira possível. Algumas vezes, os professores recebem um treinamento. No período de avaliação, todos os dados que influenciaram o projeto – como a taxa de abandono escolar, por exemplo – são revisitados, para verificar se as mudanças esperadas ocorreram. Isso pode durar alguns anos, até que se tenha certeza sobre quais estratégias trouxeram melhores resultados e se consiga identificar o impacto do design no processo.
“O ensino é um empreendimento multifacetado, influenciado por vários componentes, que às vezes são conflitantes. Nós acreditamos que a arquitetura de ambientes educacionais pode proporcionar aos professores um ambiente propício para eles se conectarem de verdade às crianças, mas o espaço não faz isso sozinho”, diz Amy, que usa como exemplo de sucesso da integração de várias práticas em prol de um melhor aprendizado um projeto realizado em Seattle.
Pequenas mudanças
Apesar da complexibilidade do processo de desenvolvimento de projetos da BrainSpaces, alguns ensinamentos básicos sobre o impacto da arquitetura em como as pessoas aprendem podem ser replicados facilmente. Por exemplo, ambientes coloridos são mais estimulantes do que os de cores neutras, segundo Amy. A iluminação natural é outra recomendação para facilitar o aprendizado, mas mesmo quando não existem janelas, uma luz indireta, em vez de fluorescente, também deixa o ambiente mais agradável para estudar. A arquiteta e professora diz que já viu várias dessas pequenas mudanças serem implantadas pelos próprios professores, que reinventam o ambiente escolar com o que tinham, seja reformando móveis e mudando a sua disposição seja decorando paredes.
“Para a sorte de muitas escolas, alguns professores são bastante criativos em achar maneiras de usar espaços inadequados e mesmo assim criar boas oportunidades educacionais para seus estudantes. Mas imagina se eles não precisassem usar suas energias para compensar más condições de trabalho? Nós acreditamos que os professores devem receber suporte para fazer o que fazem melhor: ensinar”, defende Amy.
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EDUCAÇÃO ANUNCIA MAIOR CONCURSO DA HISTÓRIA PARA PROFESSORES: 59 MIL NOVAS VAGAS

Na ocasião, também foram anunciadas outras medidas que fortalecem a educação paulista
O governador Geraldo Alckmin e o secretário da Educação Herman Voorwald anunciaram, hoje (5), um pacote de medidas que beneficiará a Educação do Estado de São Paulo. Entre os anúncios, está a abertura de concursos para mais de 59 mil professores, maior contratação da história da Secretaria de Educação.
O edital do concurso, para os professores interessados em atuar nas escolas a partir de 2014, deve ser publicado ainda neste semestre. O último concurso, realizado em março de 2010, teve 260 mil inscritos.
A contratação reforça a política da Educação pela ampliação do quadro de docentes efetivos e pela redução de temporários. Desde janeiro de 2011, já foram nomeados mais de 34 mil docentes, totalizando 93 mil novos professores durante a atual gestão. Nos últimos dez anos foram nomeados 157 mil educadores. Atualmente, a rede estadual possui 231 mil professores entre efetivos e temporários.  
Os candidatos aprovados passarão por formação específica na Escola de Formação e Aperfeiçoamento do Estado de São Paulo “Paulo Renato Costa Souza” (EFAP). O curso tem 360 horas, divididas em 18 módulos semanais de 20 horas. Nas aulas, os docentes conhecerão o currículo adotado pelo estado, metodologias de trabalho e aspectos da realidade das escolas estaduais.
A formação, que antes acontecia em um período diferente das aulas, passará a ocorrer simultaneamente , como parte integrante do estágio probatório. A alteração ocorreu para que o ingresso dos professores na sala de aula aconteça de forma mais ágil.
Outros anúncios
O governador também anunciou uma medida inédita para os 181,5 mil professores efetivos e estáveis da rede estadual. A partir de agora, eles poderão acumular o cargo de efetivo com a contratação temporária. O que permitirá, por exemplo, que ele substitua um outro professor em horário distinto de sua jornada, além de aumentar a carga horária de acumulação para 65 horas semanais. As medidas reforçam a política da Secretaria pela ampliação do quadro de docentes efetivos na rede estadual.
aumento salarial de 8,1 %, já a partir do dia 1º de agosto, para mais de 415 mil funcionários do magistério, apoio escolar e aposentados também foi anunciado no evento.
"Atrelado ao reforço da política salarial –com o aumento de 8,1% para todos os servidores–, nossos professores poderão agora atribuir mais aulas, o que também possibilitará ganho salarial. Oportunidade inédita para eles e uma novidade importante para os estudantes, que poderão contar com um docente substituto da mesma escola", afirma o secretário da Educação Herman Voorwald.
No pacote de valorização da rede, também foram contemplados outros servidores que compõem o quadro da Educação. A Secretaria anunciou a nomeação de 973 agentes de organização escolar, a criação de mais de 800 cargos de analista de tecnologia e administrativo e a autorização de 127 cargos de oficial administrativo e 87 de executivo público.
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